Paraná será campeão em café
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 1997
Luciane Tonon Cornélio Procópio 
RIBEIRÃO DO PINHAL - Em pouco tempo, o Paraná vai voltar a ser o campeão nacional de produção de café. afirmou ontem o secretário da agricultura, Hermas Brandão, durante o 2º Encontro Paranaense de Café Adensado, realizado em Ribeirão do Pinhal, no Norte Pioneiro. O evento reuniu cerca de 1,5 mil produtores no ginásio de esportes, pela manhã, e no sítio Pica-Pau, de Sinésio Andrade Borges, à tarde.
O governo vai assinar convênios com prefeituras que garantam a produção de 130 milhões de pés de café. Nos últimos dois anos, assinamos convênios para a formação de 70 milhões de mudas, beneficiando os pequenos produtores e na sequência vamos garantir a liderança nacional com 130 milhões de pés, afirmou.
Para o senador José Eduardo Andrade Vieira, o Paraná tem condições para assumir a liderança. O café é um produto de exportação, mas que contribui com nossa balança que está passando por tantos problemas, é fonte de geração de emprego, minimiza o problema social e êxodo rural; e o adensado é uma alternativa de diversificação para o pequeno produtor que não pode ficar na dependência de um só produto, enfocou.
O comprometimento com pesquisas e apoio técnico foi firmado com a presença do presidente da Embrapa, Alberto Portugal. A nossa presença aqui deixa claro o compromisso da Embrapa e do Ministério da Agricultura com o pequeno produtor, que tem um grande papel no desenvolvimento da nação por isso parabenizamos o trabalho pioneiro do adensamento do café no norte do Estado, ressaltou.
O sistema adensado é uma tecnologia revolucionária, recomendada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Os produtores encontraram, no evento, um ponto de apoio e troca de experiências entre os mais antigos cafeicultores, alertando ainda quem está iniciando agora. Estamos há 50 anos na atividade do café e há 7 com o adensado, que eu acredito ser a solução para os pequenos produtores, foi o melhor caminho a ser tomado após a geada de 94, disse Luiz Henrique Ferroni, cuja família é líder nacional na produção de café, contando com um complexo de 14 fazendas, 5 milhões de pés de café e empregando 1,5 mil funcionários fixos.
Para ele os iniciantes da cafeicultura não podem ser levados pelo atual preço do café. Não estamos deslumbrados com o preço. O produtor tem que ter prudência. Quem entrar na atividade hoje tem que ter os pés no chão, porque só vai colher daqui a três anos e não sabemos o que pode acontecer até lá. O preço atual premia, sim, os produtores tradicionais por tudo o que eles já passaram com o café, comentou.
Uma das dúvidas levantadas por alguns participantes do Encontro foi sobre as pessoas que possuem pequenas propriedades, mas não podem plantar porque não têm ascesso a creditos rurais por não residirem no local. Quero produzir mas não me enquadro nos financiamentos. Até os sem-terra têm créditos e eu que tenho terra não consigo dinheiro para produzir, por não morar na propriedade e ser aposentado, reclamou o professor Luiz Antônio de Oliveira.
O superintendente do Banco do Brasil, Altino Ramos, explicou que o Programa Nacional de Financiamento (Pronaf), é originário do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Fat) e tem a filosofia de fazer com a pessoa more na propriedade onde ela produza. Ele é destinado àquela pessoa que vai se fixar no campo, produzir, gerar riqueza ali e não apenas tendo uma propriedade e contratando uma pessoa para fazer os serviços, afirmou.
Segundo ele, isso gera êxodo rural e pode comprometer as viabilidades das cidades. Agora existem outros sistemas via Banco Nacional do Desenvolvimento Social, ou outras instituições que dependendo do projeto pode haver o financiamento.
Ribeirão do Pinhal foi escolhida como sede do evento pelo empenho que tem tido com o adensado. Segundo o organizador, Paulo César Dal Píccolo, o município conta com 3,8 mil ha de café, numa produção de 9 milhões de pés de café. A média anual de colheita é de 200 mil sacas em coco. A cidade teve ainda um aumento populacional nos últimos anos em função do café. Politicamente pretendemos dar uma continuidade no evento para que a região Norte do Paraná possa tirar benefícios políticos e financeiros. Que seja um marco inicial para a volta da cafeicultura na região, disse o prefeito Benedito da Silveira Pinto (PDT).


