Paraná sem milho para consumo próprio
Vânia Casado
De Curitiba
Avicultores e suinocultures paranaenses vão recorrer à bancada parlamentar, em Brasília, para pressionar o governo a transferir rapidamente os estoques de milho que estão no Centro-Oeste. Ontem o milho se manteve em R$ 13,00 para venda no atacado nas praças de Maringá e Ponta Grossa, nível que alertou para a gravidade da crise que está se instalando em função da escassez do milho.
Os criadores estão aguardando a remoção de 100 mil t de milho prometida por Ibrahim Fayad, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.
O presidente da Associação dos Avicultores do Paraná, Laércio Cardosos, disse que os criadores de aves de postura estão beirando ao desespero porque não conseguem encontrar o milho a menos de R$ 15,00 a saca. Alertou que essa cotação inviabiliza a produção de aves, ovos, suinos e leite. Segundo Cardoso, se o governo não previdenciar o milho, em 15 dias, os associados da Apavi vão soltar as galinhas em praça pública.
Em reunião na Secretaria da Agricultura, ontem, as entidades decidiram ir a Brasília para exigir a transferência do milho. Os granjeiros estão revoltados com o fato de a Conab ter transferido, recentemente, 100 mil t de milho para o Rio Grande do Sul e 66 mil t para Santa Catarina. Participaram da reunião os representantes da Avipar, APS, Apavi e Sindicarnes.
Importação O diretor geral da Seab, Norberto Ortigara, defende a intervenção do governo federal no abastecimento de milho até encontrar um ponto de equílibrio no preço. Para isso, defendeu até a importação com alíquotas reduzidas. Mas insistiu que a medida tem de atender o mercado somente até o ponto de superar o déficit de oferta do milho, para não derrubar os preços a ponto de desestimular o plantio das próximas safras. Se as importações não forem adequadas às necessidades da demanda, nunca iremos solucionar o problema da escassez de oferta de produtos, alega.
A Conab alega que o Paraná tem quase 72.000 t de milho em estoque e esse volume é suficiente apenas para atender a venda em balcão até o final do ano. A dificuldade do governo em autorizar a remoção de milho do Centro-Oeste para cá é a falta de dinheiro para o transporte. Por isso alega que o estado está abastecido e não tem necessidade de remover estoques. Ocorre que esses estoques estão em poder de grandes empresas de integração e das cooperativas e não estão atendendo o criador independente que está à mercê da especulação de mercado, disse Ortigara.





