Curitiba - A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) vai aproveitar a mobilização para a campanha de vacinação contra a febre aftosa, que começa no dia 1º de novembro, para recadastrar todo o rebanho paranaense. Os dados colhidos serão usados para implantar o sistema de rastreabilidade do Estado.
O Paraná deverá ser o primeiro Estado a implantar o sistema. ''Isso permite o controle absoluto de todo o movimento de animais no Paraná'', afirmou o coordenador da Defesa Sanitária Animal da Seab, Felisberto Batista. Segundo ele, o Ministério da Agricultura se comprometeu com parceiros comerciais, como a União Européia, a rastrear todo o rebanho brasileiro até 2005. ''Para que isso ocorra era preciso que o Paraná se lançasse no projeto, de forma pioneira'', ressaltou. Segundo ele, a rastreabilidade garante maior qualidade aos alimentos.
Segundo Batista, o novo sistema vai permitir a informatização das guias de trânsito ainda no fim de novembro. ''Hoje o criador tem que se deslocar para obter o documento. Com a rastreabilidade, ele vai poder obter a licença na sua própria localidade'', disse, ao acrescentar que o sistema vai funcionar como um caixa eletrônico. ''Se ele tiver estoques de animais no volume e na faixa etária que está movimentando, a guia é liberada'', explicou. Segundo ele, a eficácia do sistema não depende da rastreabilidade feita em outros Estados. ''O Paraná tem rebanho fechado. Há 28 postos fixos nas divisas Norte e Sul. Na fronteira Oeste há o lago de Itaipu e controle federal, e, no Leste, o mar'', observou.
A Seab vai receber o apoio das entidades que integram o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) para realizar a vacinação e o recadastramento do rebanho, que serão feitos entre 1º e 20 de novembro. Batista disse que em cada um dos 399 municípios do Paraná será instalado um posto de atendimento. A operação vai contar com os 120 postos da secretaria, locais de atendimento da Emater, apoio das prefeituras e de sindicatos. A vacinação deve atingir todo o rebanho paranaense, estimado entre 9,5 milhões a 9,7 milhões de cabeças.
Em novembro, o Paraná vai completar 90 meses sem ocorrência de febre aftosa. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarnes), Péricles Salazar, a Seab está fazendo um bom trabalho de monitoramento e defesa animal e, por isso, ele acha que 100% do rebanho estadual vai ser vacinado. ''Temos vizinhos que representam perigo, como Argentina, Paraguai e até Uruguai, e, por isso, é importante a vacinação, para não ficarmos vulneráveis'', afirmou.

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