Curitiba Pressões ambientais e a nova crise do petróleo estão fazendo com que o Brasil volte a incentivar pesquisas sobre o uso do biodiesel como combustível, retomando um trabalho iniciado na década de 80 e abandonado alguns anos depois. Três convênios neste sentido foram assinados ontem à noite durante a abertura do Seminário Internacional de Biodiesel que está sendo realizado em Curitiba.
O encontro é uma parceria entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia, o Centro de Integração de Tecnologia do Paraná (Citpar), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). O primeiro convênio, entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e o governo do Paraná, será para a criação do Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis que deverá centralizar pesquisas sobre a transformação de óleos vegetais em combustíveis alternativos.
O segundo convênio prevê a continuidade dos testes associados à mistura MAD-8, que adiciona 8% de etanol ao diesel junto com o co-solvente AEP-102, à base de óleo de soja. O terceiro convênio dará início ao Programa Nacional de Biodiesel.
O presidente da comissão organizadora, Luiz Pereira Ramos, professor adjunto do Departamento de Química da UFPR, explica que a proposta do evento é promover a troca de experiências entre vários países sobre mercado e especificações dos biocombustíveis. Também será feita avaliação econômica do processo de produção e custos. Palestrantes da França, Argentina, Alemanha e dos Estados Unidos estão participando. O Brasil, segundo Ramos, tem que tirar o atraso de décadas de interrupção nas pesquisas, por falta de incentivo. Em países como Áustria e Alemanha o uso de biocombustíveis já é uma realidade há muito tempo.
O Paraná é um dos estados brasileiros mais avançados em pesquisas sobre biodiesel. Várias pesquisas e testes vêm sendo realizados no Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet), UFPR, Cooperativa Agrícola de Campo Mourão (Coamo), Tecpar, Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e Lactec. A própria Prefeitura de Curitiba tem testado alguns tipos de biodiesel desde 1997. Há seis meses, alguns ônibus vêm utilizando a mistura de etanol no diesel com derivado de soja.
A proposta do seminário é de contextualizar o biodiesel no cenário energético mundial. Estão em discussão inovações tecnológicas na produção industrial de biodiesel, definição das especificações técnicas que atenderão aos interesses do mercado, aspectos legais da implementação de biocombustíveis na matriz energética nacional entre outras questões.

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