Curitiba - O mapa da inovação tecnológica na indústria brasileira aponta o Paraná como sendo um dos estados com concentração de empresas inovadoras em desenvolvimento de produtos. Das 15 regiões identificadas como sede de empresas inovadoras em todo o País, se destacam a região de Curitiba e a do eixo Maringá-Londrina, que se tornaram pólos industriais exportadores de produtos com elevado valor agregado.
  As empresas inovadoras surgiram em meados da década de 90, a partir da articulação de um grupo de empresários com visão de futuro, em substituição ao conjunto de indústrias defasadas tecnologicamente e gestão mais tradicional. Essas empresas inovadoras exportam entre 15% e 16% a mais e com um preço no mínimo 30% maior que as empresas tradicionais.
  Essa foi uma das conclusões do mapeamento que cruzou informações de 72 mil empresas brasileiras com número de funcionários acima de 10 pessoas. Além das duas regiões paranaenses, se destacaram as regiões de Porto Alegre e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul; Joinville e Blumenau, em Santa Catarina, São Paulo e o Triângulo Mineiro.
  A vantagem dessas localidades é que elas apresentam um grande potencial de futuro em função da atração de investimentos, disse João Alberto De Negri, diretor de Estudos Setoriais do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Negri apresentou o mapa, um livro com 700 páginas com mais de 28 autores entre mestres e doutores das universidades estaduais e federais de vários Estados, durante o Fórum Paraná de Inovação na Indústria, promovido pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
  Segundo De Negri, as empresas que inovam e desenvolvem produtos surgiram nas localidades identificadas pelo mapa, também em função da presença de mão-de-obra mais qualificada, uma vez que elas empregam trabalhadores com nível educacional acima da média brasileira. Em função desses fatores, essas empresas constituem hoje um segmento competitivo e com forte parque industrial. De Negri atribuiu esse resultado, ainda, aos investimentos em pesquisa. Essas empresas investem cerca de 3% sobre o faturamento em pesquisa, valor acima dos investimentos feitos por empresas européias, onde o nível de investimento é de 2,7% sobre o faturamento, comparou. A média brasileira de investimentos em pesquisa é de 0,7%.
  Todos esses fatores estão proporcionando melhores resultados. As empresas inovadoras encontradas nas regiões apontads pelo mapa, têm mais produtividade e exportam com um prêmio maior em função da capacidade de agregar mais valor ao produto. A massa salarial, mais valorizada, recebe 23% a mais que a média da massa salarial do País. ‘‘Os empregados são mais estáveis, mas pela acumulação de conhecimento, que é reconhecida pelas empresas’’, analisou.

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