Paraná responde por 23% da safra nacional
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quinta-feira, 30 de outubro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Paraná é um dos principais responsáveis pelo aumento da safra de grãos de 2003. Das 122,2 milhões de toneladas que o Brasil está terminando de colher, cerca de 29,2 milhões (23%) são só do Paraná. O aumento em comparação com a safra passada foi de cerca de 26% (em 2002 o Estado colheu 21,6 milhões de toneladas), mesmo patamar que o crescimento nacional (25%). Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado ontem.
O feijão, o milho e o trigo são os principais destaques do Estado na safra de 2003. A 3 safra nacional de feijão teve um aumento de 3,48% graças ao Paraná. O Estado aumentou a colheita em 5,2 mil toneladas em relação à safra passada. Já na 2 safra de milho, a safrinha, o Paraná colheu quase três vezes mais que na passada. Na safra de 2002, foram colhidas 1,9 milhão de toneladas. Na safra deste ano foram 5,7 milhões de toneladas. O Paraná já acabou a colheita do milho. Enquanto a produção de milho no País cresceu 104,77%, no Paraná aumentou em 192%, perdendo só para o Mato Grosso do Sul (MS), que aumentou em 219% sua produção de milho.
A produção de trigo no Estado aumentou em 82% em relação à safra anterior, perdendo só para o Rio Grande do Sul (RS), que teve um crescimento de 84%. Contudo, as lavouras do RS sofreram com problemas climáticos, não sendo possível, portanto, estimar-se ainda a quantidade de perda. Os dois estados juntos são responsáveis por 90% do trigo produzido pelo Brasil. Na safra passada, o Paraná produziu 1,5 milhão de toneladas de trigo. Nesta, com 50% da colheita já feita, estima-se que 2,8 milhões de toneladas saiam dos campos.
Segundo o coordenador de agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Carlos Alberto Lauria, a safra brasileira de 2004 deverá registrar, no mínimo, um patamar similar ao previsto para a safra 2002/2003 (122,2 milhões de toneladas). ''Há ganhos de produtividade, o clima está ajudando e só não teremos uma safra igual ou maior do que o recorde deste ano se houver uma surpresa muito grande do clima'', disse.
Lauria afirmou também que a safra brasileira tem potencial de crescimento nos próximos anos, já que há avanços na tecnologia e perspectivas de expansão de área, como o Cerrado. ''Podemos expandir em área e produtividade, mas o principal fator será o clima'', explicou. Os 122,2 milhões de toneladas previstos serão 25,76% maiores do que o volume da safra anterior.
O coordenador do IBGE ressaltou o ''grande aumento'' da produtividade da agricultura brasileira nos últimos anos. De 1990 a 2003, houve crescimento acumulado de 17,4% na área plantada no País (36,8 milhões de hectares em 1990 para 43,29 milhões de ha este ano), enquanto a safra cresceu 117,86% no período, passando de 56,1 milhões de toneladas para 122,2 milhões de toneladas. Segundo Lauria, esse aumento de produtividade ocorreu especialmente devido ao uso de tecnologia, incluindo sementes, defensivos, fertilizantes, máquinas e equipamentos e correção de solo. (Com Agência Estado)


