Curitiba - O governo do Paraná não vai seguir o padrão de tolerância para contaminação da soja adotado pelo Ministério da Agricultura e aceito ontem pela China nos embarques do grão pelo porto de Paranaguá. O presidente da Claspar (Empresa Estadual de Classificação de Grãos), Eduardo Baggio, disse bastar a localização de uma semente tratada com fungicida para a rejeição da carga inteira de um caminhão.
A norma do Ministério admite um grão de semente por quilo do produto. ''Vamos manter tolerância zero para transgênicos - grãos geneticamente modificados -, e para a soja batizada com fungicida'', garantiu Baggio, repetindo declarações do vice-governador e secretário da Agricultura do Estado, Orlando Pessuti. Segundo Pessuti, o exportador que quiser adotar o novo padrão do Ministério ''terá que embarcar (em navios) o produto por outro lugar.''
O presidente da Claspar disse que a prevenção de novos embargos à soja não exige novas medidas fiscalizadoras no porto. Ele descartou a hipótese de a empresa vinculada à Secretaria da Agricultura bancar análises de laboratório para confirmar contaminação de cargas em recusas futuras. Por medida de economia, a fiscalização continuará sendo apenas visual.
O rigor que o governo do Paraná diz impor no porto de Paranaguá não evitou que quatro cooperativas e uma empresa privada constassem da lista das 23 que tiveram o produto recusado pela China. O diretor da Lavoura Indústria, Comércio Oeste S.A., uma das listadas, Clóvis Schidlowski, disse ontem não acreditar na contaminação da mercadoria, mas que considera o conflito superado. Para o gerente da Cotriguaçu - cooperativa que intermedia o embarque e detém estrutura de armazenamento para 150 mil toneladas no porto-, Sidnei Pinto, não há como identificar a origem e ''limpar'' a soja já embarcada.
A suspensão do embargo não animou as cooperativas do Paraná. A preocupação agora é com o preço do grão que sofreu queda de 22% segundo Luiz Roberto Baggio, vice-presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). No auge das exportações para a China, em abril, a soja valia R$ 52 a saca e ontem estava cotada a R$ 39. As vendas para a China daqui para a frente serão pagas ao preço do dia. ''A expectativa é que o preço pare de cair'', disse. A Ocepar estima que 70% da soja paranaense já foi exportada. O restante, segundo Luiz Baggio, deverá ser negociada lentamente, na espera de um melhor momento para venda. (Colaborou Vânia Casado, Equipe da Folha)

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