O Ministério da Agricultura descartou a instalação de um corredor sanitário entre o Rio Grande do Sul e os demais Estados. Com isso, o trânsito de bovinos provenientes do Rio Grande continua proibido. Já o trânsito de suínos é admitido somente de frigoríficos com Inspeção Federal (SIF), informou ontem Felisberto Baptista coordenador da Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Paraná. O trânsito de carne com osso oriunda daquele Estado também está proibido, sendo permitido somente o envio de carne bovina desossada e maturada.
A proibição foi determinada em função do surgimento de focos da febre aftosa nos municípios que fazem fronteira com o Uruguai e Argentina. O assunto foi discutido no último sábado em reunião realizada em Curitiba, na Secretaria da Agricultura do Paraná com os coordenadores da Defesa Sanitária do Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul e os técnicos do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura.
Segundo Baptista, não há condições de implantar o corredor sanitário enquanto persistir a ameaça de atividade viral da febre aftosa proveniente do Rio Grande do Sul. O problema é que a metodologia de extinção dos focos adotada naquele Estado não dá segurança que o vírus esteja sendo totalmente exterminado. Baptista declarou que não será surpresa se surgir novos animais doentes.
A desconfiança ficou clara após explanação dos técnicos gaúchos quando eles disseram que não estão matando todos os animais onde estão sendo registrados os focos de aftosa. Estão sendo sacrificados somente os animais doentes. Ocorre que existe um período de incubação do vírus de até 15 dias antes do animal apresentar sintomas da doença.
Ontem os técnicos da Secretaria da Agricultura iniciaram as visitas aos criadores que não vacinaram os animais contra aftosa durante a campanha de vacinação encerrada no último domingo. Quem não vacinou os animais será multado em R$ 46,00 por cabeça não vacinada. Baptista adiantou que a imunização da campanha chegou a 98,5% do rebanho.
Novos casos Diagnóstico clínico feito hoje por veterinários da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul indicou a existência do primeiro foco de febre aftosa fora da região da fronteira gaúcha com Uruguai e Argentina.
Os técnicos identificaram lesões características da doença em 15 bovinos de uma propriedade em Jari, na região central do Estado, distante cerca de 400 quilômetros da fronteira. O fato sugere que o vírus rompeu o cinturão estabelecido nos municípios da fronteira, onde já houve a vacinação do rebanho (a segunda dose será aplicada nesta semana) e foram implantadas barreiras sanitárias.
Caça O Ibama decidiu suspender por 30 dias, a caça a diversos tipos de animais no Rio Grande do Sul, por causa da aftosa. O Ibama acatou um pedido do Ministério da Agricultura que teme que a circulação de veículos, pessoas e cães da área afetada pela doença pela região onde estão liberadas a caça de marrecos, lebres e diversos tipos de aves, possa facilitar a transmissão do vírus.

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