Paraná registra deficit de 8,4 mil empregos em setembro
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
O número de vagas formais de emprego no Brasil e no Paraná continuam em queda livre em 2015, mostrando que a situação preocupante da macroeconomia do País influencia diretamente no cenário de contratações e demissões. No mês de setembro, o Brasil fechou com saldo negativo de 95.602 mil vagas de emprego, um decréscimo de 0,24% em comparação ao saldo negativo de 86.543 mil vagas de agosto. No total, foram 1.326.735 admissões e 1.422.337 demissões. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Previdência Social, através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O Paraná seguiu a tendência nacional. Em setembro, o saldo ficou negativo em 8.472 vagas, com 92.963 contratações e 101.435 demissões. Em agosto, o número vermelho era um pouco mais ameno, fechando com deficit de 5.934 vagas. Só como análise comparativa com setembro do ano passado, o número estava positivo em 11.547 vagas de trabalho. Na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), o deficit é de 4.494 empregos no mês passado.
Mais uma vez, foi a indústria de transformação e serviços que puxaram a queda no Estado, com deficit de 4.066 (-0,59%) e 2.321 (-0,23%), respectivamente. No País, os setores responsáveis pela queda foram o de serviços (-33.535), construção civil (-28.221) e comércio (-17.253).
O diretor do Centro Estadual de Estatísticas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o economista Francisco Castro, foi bem enfático ao falar dos números: eles são reflexo das condições macroeconômicas do País. "O cenário é pouco favorável ao setor produtivo, pouco favorável ao consumo, a moeda está desvalorizada e a taxa de juros elevadíssima. A partir de 2013, o setor industrial começou a sentir o peso disso tudo, o que tem refletido no comércio, nos serviços e, consequentemente, no emprego", salientou ele.
Como o Paraná possui diversas indústrias principalmente a automotiva é um dos estados que mais sentem o impacto do desemprego, com demissões mais volumosas. "No caso da indústria automotiva, são dois fatores: o mercado interno desaquecido, já que o crédito para adquirir veículos está muito caro e também as exportações ruins, pois o nosso principal comprador, a Argentina, também não passa por um bom momento", exemplificou o economista.
Londrina não fugiu à regra e também ficou com saldo negativo na geração de empregos. O deficit de 281 vagas, entretanto, é menor que os 435 postos a menos de agosto, o que mostra uma leve recuperação. Foram 6.669 admissões contra 6.950 contratações. Este é o menor deficit registrado em seis meses na cidade.
O diretor da Secretaria do Trabalho de Londrina, Joenes Veloso Alcântara Junior, disse que toda a recuperação é importante nos "sensíveis números do emprego". Ele lembrou também que, de janeiro a setembro, o saldo da cidade é positivo em 415 vagas. "Esse valor acumulado coloca Londrina em 17º lugar no ranking estadual e 188º lugar no nacional. Não é uma posição confortável e precisa ser melhorada", complementou. A expectativa do diretor é que neste último trimestre as contratações cresçam, principalmente no comércio.
Leia também:
- Contratação temporária deve cair 35% no fim de 2015 ante 2014


