Paraná registra captação de leite positiva em 2011
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sábado, 04 de fevereiro de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
A captação de leite nos principais estados produtores do País diminuiu em 2011. Os números do Paraná, entretanto, surpreenderam e o Índice de Captação de Leite (ICAP-Leite) subiu 3,3%, registrando a maior alta do Brasil, segundo informações do Centro de Estudos Avançado em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A Bahia também registrou aumento na captação em 1,1%. Atualmente o Estado é o terceiro principal produtor de leite do País, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com produção de 3,5 bilhões de litros por ano. Em segundo está o Rio Grande do Sul, com 3,6 bilhões e em primeiro Minas Gerais com mais de 8 bilhões de litros.
O crescimento em 3,3% no volume de captação de leite por parte das indústrias e cooperativas paranaenses, já pode ser considerado um retorno dos últimos investimentos que o Estado vem realizando para fomentar o setor produtivo. A conclusão é da pesquisadora do departamento técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Silvia Digiovani.
Segundo ela, a capacitação técnica que os produtores estão recebendo tem contribuído para que o Estado esteja na dianteira nos índices de captação do produto frente aos demais estados. ''Além disso, o produtor paranaense tem inserido gado europeu em suas pastagens. Essas raças têm um maior potencial de produção'', garante. Silvia explica que o aumento da captação do Estado é necessário para atender as necessidades das 300 indústrias responsáveis pelo recebimento do leite no Paraná.
''Anteriormente, as indústrias tinham períodos ociosos muito grandes, o que prejudicava o mercado'', sublinha. Hoje, afirma ela, o cenário é diferente. Com um total de 118 mil produtores, o Estado já conquistou a terceira colocação no ranking nacional de produção, perdendo somente para Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Silvia frisa que os pecuaristas do Paraná têm buscado a assistência técnica por meio de cursos promovidos pela Emater e pelo Senar.
O resultado desse pacote de investimentos, revela a pesquisadora, fez com que a média de produção no Paraná por animal fosse superior à nacional. Ao todo, o Estado produz 2.319 litros por vaca/ano, enquanto que a média brasileira é de 1.340 litos por vaca/ano. Paulo Hiroki, veterinário da regional da Emater de Londrina, afirma que o bom retorno financeiro que a atividade traz ao produtor, fez com que ele aumentasse os investimentos na cadeia produtiva, favorecendo a ampliação do volume de produção. ''Muitos pequenos produtores retiram da atividade uma remuneração que não teriam se trabalhassem em outro setor'', avalia.
O especialista da Emater explica que a atividade leiteira proporciona um retorno mais rápido se comparado à produção de grãos, por exemplo. ''O bom manejo e uma alimentação adequada aumenta de forma rápida a produção'', sublinha. Ele acrescenta que muitas regiões, principalmente o Norte Pioneiro, tem ganhado destaque na atividade.
Ao todo, de acordo com a pesquisadora da Faep, com base em dados fornecidos pelo IBGE, em 2010, o Paraná produziu cerca de 3,5 bilhões ao ano. Os números de 2011 ainda não foram fechados. Para 2012, Silvia tem boas perspectivas, principalmente em termos de bons preços. ''Não esperamos uma superoferta para 2012 mas a produção deve ficar em patamares equilibrados'', analisa.
Corda bamba
Hiroki afirma que o modelo paranaense de pequenas propriedades de leite vem sendo adotado pelos estados vizinhos, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esse fenômeno, em longo prazo, afirma o especialista da Emater, pode chegar a abalar a liderança paranaense no segmento, já que muitos clientes do Paraná estão localizados no norte catarinense. ''Acredito que em 2013, a produção do Paraná poderá sofrer um leve declínio'', afirma.



