''Quem não reduzir a produção vai quebrar'', advertiu ontem o presidente da Associação dos Abatedouros e Indústria Avícola do Paraná (Avipar), Alfredo Kaefer, que considera os casos de gripe aviária no mundo o ''golpe de misericórdia'' no setor, que já vinha ''enfrentando dificuldades extremas'' por causa da valorização do real frente ao dólar.
O Paraná, com 21,67% do total produzido no Brasil, é o maior produtor nacional de frango de corte e o segundo no ranking das exportações, com 27,63% das vendas em volume. A média mensal da produção paranaense no ano passado foi de 84,69 milhões de frangos. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, houve uma redução de 12,83% nos embarques em janeiro em comparação com dezembro, o que provocou uma redução de 17,87% na receita. Em janeiro, o Estado embarcou 61.744 toneladas de carnes de aves, faturando US$ 80,05 milhões. Em dezembro, a receita foi de US$ 97,4 milhões, com 70.837 toneladas. Os números de fevereiro ainda não foram fechados.
O setor é formado no Estado por 33 abatedouros de pequeno, médio e grande portes, dá emprego direto a 50 mil pessoas e a 150 mil indiretamente e é abastecido por 10 mil granjeiros. As regiões que concentram a produção são o oeste e o sudoeste do Estado, onde são abatidos 2 milhões de aves por dia. O maior abatedouro da América Latina, do grupo Sadia, está instalado em Toledo, e somente lá é abatido 1 milhão de aves diariamente.
A advertência de Kaefer já está sendo seguida na prática. Diversos frigoríficos começaram a demitir funcionários. A Globoaves, de Cascavel, demitiu 50 funcionários, a Cooperativa Vale, de Palotina, 200, e a Copacol, de Cafelândia, está, por enquanto, propondo apenas a redução de 20% dos salários.
''Vamos ter de reduzir a produção de 20% a 25% e os postos de trabalho na mesma proporção'', afirmra Kaefer. Cerca de 10 mil pessoas perderão o emprego em curto prazo, estima.
A redução na produção começou a ser posta em prática em janeiro, quando foi abatido 1,76% a menos que em dezembro. Em fevereiro, a redução foi mais drástica, atingindo entre 10% e 15%, de acordo com estimativas. A meta inicial era reduzir a produção em 15%, mas o presidente da Avipar estima que o ideal seria reduzi-la em 25%.

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