O Paraná termina este mês a colheita da batata (safra das águas) que renderá 385.062 toneladas, ou seja, uma produtividade média de 22 toneladas por hectare. Segundo Maurício Tadeu Lunardon, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), o resultado é muito bom, mas ainda é insuficiente para elevar a posição do Estado entre os maiores produtores do País. Atualmente, ele é o terceiro no ranking com 20% da produção nas duas safras anuais. ''Minas Gerais (33%) e São Paulo (25%) levam vantagem sobre o Paraná porque tem uma colheita a mais'', explicou Lunardon.
Há oito anos, nosso Estado era o maior produtor de batata do País com 30.580 hectares de terra cultivada. Atualmente, a área destinada a essa olerícula é de 16.885 hectares quase metade em menos de 10 anos. Na opinião de Lunardon, o desgaste mineral da terra e as condições desfavoráveis de mercado foram os principais responsáveis pelo desestímulo do agricultor. Em Guarapuava e região metropolitana de Curitiba, alguns produtores aproveitaram essa readequação de mercado para ampliarem seus domínios. ''Por isso, a queda na produção não foi tão significativa quanto a redução do número de agricultores'', disse o engenheiro agronômo Ciro Antonio Projan, da ORB Agropecuária, de Guarapuava, que acrescentou também a importância da evolução tecnológica e do surgimento de novas variedades do produto.
Martinho Laskawski abandonou a lavoura da batata há seis meses para plantar soja, milho e trigo. De acordo com ele, a quantidade em oferta derrubou o preço e o agricultor não consegue cobrir as despesas. ''Se você vende a saca por R$ 20,00, o comprador oferece R$ 10,00 e acaba pagando R$ 8,00 no prazo mais interessante a ele'', afirmou Laskawski que durante 20 anos dedicou-se a essa cultura nos arredores da capital. Segundo Projan, a opção pelos cereais é muito comum graças ao mercado garantido, baixo custo de produção e garantia da colheita. Para plantar um hectare de batata, o produtor gasta entre R$ 10 mil e R$ 15 mil (custo atrelado ao dólar) e vende a saca de 50 quilos de R$ 20,00 a R$ 25,00. ''Se ele colher 700 sacas/hectare e comercializá-las por R$ 20,00 cada, vai receber R$ 14 mil em até 90 dias'', exemplificou Projan.
Para ele, a solução do problema seria incentivar o consumo per capita do produto e diminuir a área plantada para elevar o preço. Além de viabilizar a produção, essas medidas ajudariam a manter milhares de empregos diretos e indiretos. ''Infelizmente, isso ainda é muito difícil porque a categoria não é organizada'', lamenta o agronômo.

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