O Paraná recuperou em 2025 a quarta posição entre as unidades da Federação em valor da produção agrícola, com R$ 87,7 bilhões, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa crescimento de 21,9% em relação a 2024 e devolve o Estado ao grupo dos quatro maiores produtores agrícolas do país.

A recuperação ocorre depois de uma forte retração. Em 2023, o Paraná ocupava a terceira posição nacional. Em 2024, o valor da produção caiu 20,3%, para R$ 71,9 bilhões, e o Estado recuou para o quinto lugar em consequência principalmente da estiagem provocada pelo fenômeno El Niño, que atingiu as lavouras de verão. Em 2025, foram recuperados cerca de R$ 16 bilhões em valor de produção em apenas um ano.

O avanço ocorreu em um cenário nacional favorável, marcado pelo aumento da produtividade das lavouras de verão e pela recuperação dos preços de commodities como soja e milho. A irregularidade climática, porém, ainda afetou a produtividade em partes do Estado, especialmente no Oeste e no Norte, regiões que concentram pouco mais de 43% da área plantada. As demais regiões tiveram ganhos de produtividade que contribuíram para o resultado consolidado.

A força paranaense está principalmente na diversidade. No grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas, o Estado foi o segundo que mais gerou valor no país em 2025, com participação de 12,8%, atrás apenas de Mato Grosso, com 30,7%.

Em quantidade produzida, o Paraná manteve a segunda posição nacional em soja, com 21,3 milhões de toneladas, e milho, com 20,4 milhões de toneladas, atrás apenas de Mato Grosso nos dois produtos. Também foi o segundo maior produtor de trigo, com 2,8 milhões de toneladas, e mandioca, com 4 milhões de toneladas, além de se destacar em batata-inglesa, cenoura, repolho, aveia e abóbora.

No Trigo, Tibagi e Londrina aparecem entre os municípios paranaenses com maior produção, seguidos por Guarapuava. Cascavel e Toledo lideram a produção de milho, à frente de Assis Chateaubriand, São Miguel do Iguaçu e Terra Roxa. Guarapuava também é o maior produtor estadual de cevada, triticale e batata-inglesa.

O Paraná lidera ainda a produção nacional de feijão, com 865,7 mil toneladas em 2025, cevada, com 377,3 mil toneladas, triticale, com 19,7 mil toneladas, e erva-mate em folha verde, com 494,7 mil toneladas. Feijão e mandioca têm forte relação com o abastecimento interno e a agricultura familiar, enquanto cevada e triticale integram cadeias industriais. A erva-mate tem importância especialmente para municípios do Centro-Sul.

Na fruticultura, o Estado é o terceiro maior produtor nacional de alface, fumo em folha, goiaba, laranja, maçã e pera. Também ocupa a quarta posição em morango, tomate, abacate, figo, palmito e tangerina. A PAM 2025 passou a incluir o morango entre os produtos pesquisados. O Paraná é o quarto maior produtor nacional da fruta e, com a inclusão da cultura, o valor da produção de frutas cresceu 38,5% em relação a 2024. O morango passou a representar a segunda maior parcela do valor da fruticultura estadual, atrás da laranja e à frente de uva e banana.

Brasil

No ranking nacional, o Paraná ficou atrás de Mato Grosso, com R$ 165,6 bilhões; São Paulo, com R$ 124 bilhões; e Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões. Goiás somou R$ 72,7 bilhões e ficou em quinto, seguido pelo Rio Grande do Sul, com R$ 71,3 bilhões. Em 2024, o Estado gaúcho havia ficado à frente do Paraná, com R$ 75,7 bilhões.

Os dez Estados com maior valor de produção responderam por cerca de 87% dos R$ 927,2 bilhões gerados pela agricultura brasileira em 2025. Mato Grosso teve 17,9% do total nacional, enquanto o Paraná participou com 9,5%.

A agricultura brasileira produziu 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025, alta de 18,2% em relação a 2024. O valor da produção chegou a R$ 927,2 bilhões, crescimento de 18,4%. O montante, em valores nominais, é o maior registrado, pelo menos, desde a criação do Plano Real, em 1994.

A soja respondeu por 34% do valor nacional, com R$ 315,2 bilhões. A produção cresceu 14,4%, para 165,2 milhões de toneladas. Segundo o IBGE, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China contribuiu para aumentar a procura chinesa pela soja brasileira e ajudou a manter os preços internos estáveis nos últimos meses de 2025.

O algodão cresceu 16,4%, para 6 milhões de toneladas. Segundo o IBGE, avanços tecnológicos e investimentos em sustentabilidade e eficiência produtiva, especialmente no Cerrado, contribuíram para que o Brasil se tornasse o maior exportador mundial.

No café, o valor da produção subiu 44,7%, para quase R$ 100 bilhões. A produção chegou a 3,4 milhões de toneladas, alta de 3%, limitada por fatores climáticos e naturais, como o exaurimento das plantas. A valorização do preço da saca no mercado internacional foi responsável pelo forte aumento do valor.

O país também ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 milhões de hectares de área colhida, chegando a 100,6 milhões de hectares, alta de 4,4%. A área equivale a cerca de 1 milhão de km², mais que Mato Grosso e próxima à extensão territorial da Bolívia.

O Centro-Oeste voltou a superar o Sudeste em valor da produção, com R$ 288 bilhões, alta de 31,8%, impulsionada por soja, milho e algodão. O Sudeste somou R$ 271 bilhões, com destaque para café e cana-de-açúcar. O Sul registrou R$ 181,1 bilhões, o Nordeste, R$ 113,7 bilhões, e o Norte, R$ 73,4 bilhões.(Com Agência Brasil)

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