Paraná recebe R$ 5 milhões do Pronaf
Vânia Casado
De Curitiba
O Banco do Brasil repassou ontem às cooperativas de crédito do Paraná recursos da ordem de R$ 5 milhões, do Pronaf, para custeio de lavouras de subsistência. Os recursos, repassados transferidos através do sistema de crédito Cresol-Baser, foram considerados insuficientes para atender à demanda de agricultores familiares associados às 20 cooperativas de crédito que atuam nas regiões Sudoeste e Centro-Oeste do Paraná. Enquanto a necessidade de crédito para o sistema é de R$ 11 milhões - que atenderiam cerca de 6.500 famílias, com financiamentos limitados entre R$ 500,00 e R$ 1.500,00 -, o BB assegurou o repasse de R$ 5 milhões, através de convênio assinado, ontem, em Curitiba.
Esses recursos darão para atender apenas cerca de 3.000 famílias, o mesmo volume atendido no ano passado quando o sistema Cresol-Baser era composto por 10 cooperativas de crédito no estado, disse o presidente da Cooperativa Central Base de Serviços, Assis Miguel do Couto. O número de cooperativas de crédito para atender mini e micro-produtores dobrou no Paraná, daí a necessidade de mais recursos que serão utilizados para financiar o custeio de lavouras de algodão, feijão, mandioca, milho e soja.
O superintendente do BB, João Carlos de Matos, admitiu que os recursos são insuficientes e se prontificou a negociar um valor adicional ao convênio assinado ontem. O secretário da Agricultura, Antonio Poloni, também defendeu um acréscimo de recursos ao convênio. O sistema Cresol-Baser é constituído por 32 cooperativas de crédito nos três estados do Sul para atendimento exclusivo da agricultura familiar. Os recursos são depositados nas agências locais do BB, sendo que em muitas regiões as cooperativas de crédito são os principais clientes do banco, ressaltou Couto.
Atraso O dirigente da cooperativa se queixou que a liberação desses recursos está atrasada e uma das consequências é o comprometimento da safra de feijão das águas no Estado. De um lado foi a seca que atrasou o plantio, e por outro, os recursos demoraram para sair e os agricultores estão descapitalizados para o plantio, salientou.
Couto justificou que a situação do país tem levado o agricultor a ter mais necessidade de crédito. A solução desse desafio passa pela organização de cooperativas de comercialização, defendeu. Segundo Couto, só a compra organizada e antecipada poderia evitar a alta o preço dos insumos que normalmente varia de 15% a 20%, quando o sistema de crédito oficial libera os recursos, afirmou. Outra forma de liberar o agricultor familiar da pressão da alta dos insumos é reduzir sua dependência do pacote tecnológico recomendado para as culturas.
Couto destacou que o agricultor familiar não tem como competir com o médio e grande produtores de grãos. Ele acredita que a solução é a prática da agricultura orgânica, que elimina a aplicação de produtos químicos. Admite que o produtor pode perder em produtividade, mas a única forma da classe de mini e micro produtor sobreviver é ganhar na margem de comercialização, defendeu. Ele citou como exemplo um agricultor de soja orgânica no Sudoeste que fatura R$ 600,00/ha, enquanto um produtor convencional fatura R$ 70,00/ha. Não tem como o pequeno produtor competir em escala com o médio e o grande produtor, a não ser na margem de rentabilidade, compara.





