Paraná realiza força-tarefa no combate ao Greening
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
O Paraná iniciou nesta semana a segunda etapa do manejo integrado contra o psilídeo, inseto transmissor das bactérias que causam o Greening, doença que ataca a citricultura. A ação coordenada pelas cooperativas Integrada e Cocamar e por citricultores independentes visa erradicar o inseto por meio do controle químico. A primeira etapa da campanha ocorreu no início do ano. Segundo José Croce Filho, fiscal de defesa agropecuária da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), a terceira semana de outubro foi escolhida porque o ciclo reprodutivo do psilídeo se intensifica nesta época do ano.
"Depois das primeiras chuvas da primavera, os pomares ganham uma nova brotação. Neste período, a multiplicação dos insetos se intensifica", observa Croce Filho. O fiscal completa que este é exatamente o momento em que o produtor deve entrar com o controle químico para não deixar a praga se multiplicar. Ele esclarece que o inseto é bem pequeno, alimentando-se dos tecidos da planta, o que prejudica o seu desenvolvimento.
Croce Filho alerta que os produtores precisam obedecer todas as regras de pulverização. Segundo o fiscal, quando for aplicar os defensivos, os citricultores devem usar produtos recomendados pela assistência técnica. Além disso, é indispensável a adoção de equipamentos devidamente adequados e calibrados para realizar a atividade, além da aplicação acontecer em condições favoráveis de clima para evitar a deriva. "Com esses cuidados, a Adapar apoia a ação conjunta do setor para combater o Greening".
O índice de infestação da doença no Noroeste do Estado, principal região produtora de laranja, varia de 2% a 4%. Na região Norte, o grau de infestação é mais preocupante, podendo chegar a 7%, dependendo da localidade. Esse índice, segundo o especialista, já requer uma ação mais intensificada.
De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Eduardo Fermino Carlos, a ação conjunta entre os produtores possui melhor eficiência do que uma pulverização individual. Ele lembra que o controle simultâneo foi criado no estado de São Paulo, trazendo bons resultados no combate ao Greening. "A doença é muito forte, mas é importante destacar ao consumidor que o fruto ingerido de uma planta doente não prejudica a saúde humana. O dano é exclusivamente econômico", enfatiza Carlos.
Somando laranja e tangerina, o Paraná possui atualmente 32 mil hectares de área plantada. Só de laranja são 26 mil hectares. De acordo com o último levantamento da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em 2011 o Estado produziu mais de 768 mil toneladas de laranja.
Orientação
A cooperativa Integrada possui mais de 120 citricultores associados e, como informa o coordenador da área, Reginaldo Sabio, dispõe de um sistema de alerta quando há um aparecimento de Greening. Nesta semana, todas as regionais da cooperativa estão trabalhando em conjunto na orientação dos produtores para que realizem a aplicação integrada de inseticidas.
Ele revela que a doença tem ganhado força no Paraná, por isso a cooperativa resolveu unir os produtores e o seu corpo técnico para realizar ações que reduzam os índices de infestação. Além disso, a Integrada distribui em suas revendas cartazes contendo recomendações básicas para combater o inseto. "Todo o Estado está trabalhando nesta semana no combate ao psilídeo", observa Sabio.
Otacílio Campiolo, produtor de 23 mil pés de laranja na região de Rolândia (Norte), fez a aplicação de inseticida há pouco tempo. O citricultor conta que sempre tomou cuidado com a sanidade de seu pomar. Em um ano, ele destaca que o índice de infestação com Greening reduziu em 10%, enquanto os pomares de seus vizinhos têm registrado aumento. "Faço a prevenção no momento certo, com vistorias constantes do pomar", observa.
A doença é tratada com seriedade também entre os citricultores associados à Cocamar, como João Pasquali, que possui 290 hectares de pomares de laranja em Alto Paraná (Noroeste). Na atividade há 20 anos, ele não esconde a preocupação com o risco que a doença oferece aos pomares. Considerando-se um produtor consciente de suas responsabilidades, Pasquali garante que toma todas as providências e cuidados recomendados pelos técnicos. Mesmo assim, vê o número de árvores infectadas em seus pomares aumentar a cada ano. "É uma doença terrível", finaliza.
A doença
O Greening, também chamado de Huanglongbing (HLB), apareceu na China em 2004, quando foram descobertos os primeiros sintomas. A doença provoca a desfolha das plantas e mata os ramos. Os frutos apresentam maturação irregular e redução de tamanho. O sintoma inicial aparece, geralmente, em um ramo que se destaca pela presença de folhas amarelas em contraste com a coloração verde das folhas não afetadas. A presença de folhas mosquiadas, segundo informações da Associação Nacional dos Exportadores de sucos cítricos (CitrosBr), é outro sintoma que evidencia a presença da doença.



