Paraná quer ser área livre de aftosa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 1998
Vânia Casado 
Dênis Ferreira NetoPR 100% livrePoloni, no lançamento da campanha, ontem: colaboração dos criadores O Paraná vai pressionar o ministério da Agricultura para que faça já os exames de sorologia no rebanho de bovinos e bubalinos, que vai rastrear a existência ou não de vírus da aftosa. O exame de sorologia é a condição básica para que o Estado possa reivindicar junto ao Organização Internacional de Epizootias (OIE) a declaração de área livre de aftosa, com vacinação.
A informação foi dada ontem pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antônio Leonel Poloni, ao fazer o lançamento da campanha estadual de vacinação. Poloni foi à fazenda Santa Cecília, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba, de Nélio Ribas Centa, presidente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), onde também assinou convênio de R$ 600 mil para compra de equipamentos do laboratório especializado em análise do leite, mantido pela associação.
Poloni lembrou que este ano a vacinação pretende atingir 100% das 9,2 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos, de forma espontânea. Ele afirmou que não pretende recorrer a medidas punitivas porque acredita no nível de conscientização do pecuarista sobre a necessidade de vacinação.
O presidente da APCBRH convocou os pecuaristas a agirem como fiscais nessa campanha. Para Ribas Centa, de nada adiantará o esforço do governo em colocar toda sua estrutura nessa campanha se não tiver o apoio do produtor. Segundo ele, o pecuarista deve denunciar o vizinho que não vacinar seu plantel, mesmo aquele que tem poucas cabeças. O pecuarista lembrou que o consumo de leite ou carne de animais contaminados por aftosa prejudica a saúde da população, como a visão, audição e o caminhar.
Mercado Para o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, com a erradicação da febre aftosa, os pecuaristas paranaenses terão acesso a mercados importantes como os países da Comunidade Econômica Européia e Estados Unidos. Ele lembrou que, nos últimos três anos as exportações de carne cairam de US$ 460 milhões para US$ 200 milhões, um reflexo de que as barreiras comerciais deixaram de ser tarifárias para serem fitossanitárias.
Além disso, a erradicação da febre aftosa abre caminho para o controle de outras doenças que também prejudicam a imagem dos produtos, disse Meneguette. Ele defendeu a adoção de um sistema de produção com qualidade elevada para caracterizar a marca de produtos do Paraná.
A campanha termina no dia 20 de maio. As equipes de Fiscalização vão percorrer as propriedades para pedir a comprovação da vacina. Segundo o diretor do Defis, Felizberto Queiroz Batista, foram colocadas no mercado 20% de doses acima da demanda esperada, ao preço de R$ 0,50 a unidade.


