Paraná quer segurar trigo até janeiro
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Vânia Casado 
As cooperativas do Paraná estão reivindicando uma linha de crédito específica para EGF (Empréstimo do Governo Federal) do trigo. A justificativa é que os produtores querem ter a opção de armazenar o produto para colocá-lo no mercado fora do período de safra, apostando numa reação nos preços a partir de janeiro de 1999. Atualmente, o produto está sendo comercializado através dos leilões do PEP (Prêmio de Escoamento do Produto), pelo preço mínimo.
Segundo Flávio Turra, economista da Organização das Cooperativas do Paraná, a medida do governo de antecipar os leilões do PEP é positiva. Não fosse isso o mercado estaria paralisado ou os produtores estariam vendendo a produção abaixo do mínimo, disse. Na melhor das hipóteses, o moinho iria pagar R$ 20,00 a menos por tonelada, que é o valor subsidiado pelo governo nos leilões, acrescentou. Mas têm aqueles produtores que não querem vender de imediato a safra e preferem arriscar numa mudança de cenário para a comercialização do trigo a partir do ano que vem.
Por enquanto, o preço do trigo no mercado internacional está em baixa, em função dos altos estoques. Mas dependendo das condições climáticas na Argentina, a produção de trigo daquele país poderá ser inferior à previsão. Está ocorrendo uma estiagem na Argentina, que está provocando o atraso no plantio do trigo.
Segundo Turra, na Argentina já se fala em perdas e a safra, avaliada inicialmente em 11 milhões de toneladas, pode ficar entre 9,2 e 10,5 milhões de toneladas, abrindo espaço para a reação nos preços, destacou.
Importações Com a quebra da produção paranaense e gaúcha de trigo, as importações de trigo deverão aumentar em 500 mil toneladas, sendo que o país deverá desembolsar mais US$ 70 milhões para adquirir a quantia adicional. A previsão inicial era que o país iria importar 6 milhões de toneladas de trigo para suprir o consumo a um custo de US$ 910 milhões.
O volume de recursos seria maior se o preço da commodity não estivesse em baixa. No ano passado, o país gastou quase o mesmo valor, em torno de US$ 981 milhões para comprar 5,85 milhões de toneladas entre trigo em grão e farinha de trigo, comparou Turra.
A produção brasileira, cuja estimativa inicial previa a colheita de 2,6 milhões de toneladas terá uma redução acentuada em função do excesso de chuvas. No Paraná, a quebra de safra já está avaliada em 230.000 toneladas a menos e no Rio Grande do Sul, 100 mil toneladas a menos. A Secretaria da Agricultura está fazendo novo levantamento de safra para avaliar a dimensão das perdas que podem ser maiores do que as divulgadas até agora.


