Carmem Murara
De Curitiba
A divulgação da notícia de que a siderúrgica francesa Usinor, que controla a Acesita no Brasil, decidiu investir US$ 40 milhões numa unidade em São Francisco do Sul (SC) provocou um corre-corre ontem na Secretaria de Indústria e Comércio do Paraná. A intenção da equipe técnica é tentar reverter a situação favorável aos catarinenses e convencer a empresa a optar pelo Paraná. Os dois Estados eram os finalistas de um total inicial de cinco que poderiam receber o investimento industrial.
A confirmação da preferência por Santa Catarina partiu do secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, Paulo Gouvêa, que esteve reunido com diretores da Usinor, em Paris, anteontem. Ele afirmou que os negócios começaram a ser discutidos há um ano e meio e que a reunião serviu para acertar os últimos detalhes. A informação foi divulgada na edição de ontem do jornal ‘‘A Notícia’’ de Joinville e pela Agência Estado.
A diretoria da Usinor no Brasil se manteve calada ontem diante do vazamento da informação. O presidente do grupo Bruno Le Forestier mandou dizer que não poderia atender a ‘‘Folha’’, pois estava em reunião. Alguns técnicos da Secretaria de Indústria e Comércio também tentaram falar com ele, mas foram atendidos pela equipe técnica.
O governo do Estado negociava com a Usinor a construção da siderúrgica no município de Paranaguá, onde seria dado incentivos fiscais do Programa Paraná Mais Empregos. Já havia até a destinação de uma área para as obras. A Usinor havia manifestado interesse pelo Estado, pois pretende abastecer o setor automotivo com placas para estamparia. Entre os clientes estaria a Renault.
A região de Joinville também apresenta fortes apelos para a decisão da siderúrgica, pois há possibilidade de negócios com as fábricas da Embraco (Empresa Brasileira de Compressores), Consul e Wiest. Os incentivos fiscais também seriam dados na isenção de imposto sobre produtos importados desembarcados no porto catarinense. A siderúrgica Usinor deve oferecer 450 empregos diretos e movimentará 1 milhão de toneladas de bobinas de aço por ano, que seriam comercializadas no Mercosul.

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