Paraná quer liberação de área para exportar carne
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Da Redação 
O Paraná está pronto para solicitar à Organização Internacional de Epizootias (OIE) a declaração de área livre da febre aftosa. O Estado está há quatro anos sem registro da doença e poderá iniciar em abril próximo a sorologia, exame de sangue feito em ruminantes - bovinos, ovinos e caprinos - que comprova a inexistência do vírus da aftosa.
O cronograma seguido pelo Paraná, que até agora cumpriu todas as exigências sanitárias legais, pode ser prejudicado, no entanto, pelo foco de aftosa detectado no final do mês passado em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. É que as regiões Norte e Noroeste do Paraná integram o circuito pecuário Centro-Oeste, do qual o Mato Grosso do Sul também faz parte.
O governo e a iniciativa privada investiram pesadamente no Paraná nos últimos anos, para evitar que a febre aftosa voltasse a ser uma ameaça, e não é justo que agora sejamos prejudicados pela ocorrência do foco no Estado vizinho, comenta o médico veterinário Felisberto Baptista, coordenador de Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura.
Segundo o veterinário, uma alternativa seria o Ministério da Agricultura transformar o Mato Grosso do Sul em zona de tampão, uma situação intermediária entre a área livre e a área infectada. Isto não causaria danos econômicos ao Mato Grosso do Sul e não prejudicaria os demais Estados do circuito - Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Goiás, defende.
A sorologia, que poderá começar em abril, deve se prolongar por seis meses. Serão analisadas cerca de 100 mil amostras de sangue em todo o circuito Centro-Oeste. Com a comprovação, através das análises laboratoriais, poderemos encaminhar o processo à OIE e obter a declaração de área livre, o que vai garantir mais mercado e preços melhores para os nossos produtos, afirma Felisberto Baptista.
O veterinário lembra que o fato de ainda não ter a declaração de área livre da febre aftosa causa sérios prejuízos à economia paranaense. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que já obtiveram a declaração da OIE, rejeitam a produção paranaense, diz. O Paraná está proibido também de exportar para o Japão e países que compõem o Nafta.


