Paraná quer exportar mais para emergentes
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quarta-feira, 11 de abril de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná quer aumentar a participação nas exportações nacionais para países considerados emergentes como a Rússia, a Índia, o México, a China e a África do Sul. Atualmente, o Estado responde por 20% das exportações nacionais para estes países num montante total de US$ 10 bilhões. A China é o maior cliente dos produtos paranaenses. Mas procura, via de regra, a matéria-prima para industrializar e revender para a Europa e os Estados Unidos.
Para o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Ardisson Naim Akel, existe um mercado à espera dos produtos brasileiros. Somente a China tem mais de US$ 1,3 trilhão para investimentos. Parte destes recursos poderiam ser usados para compra de produtos como alimentos em geral, açúcar e álcool. Atualmente, o Paraná exporta soja, carnes, aves e insumos para montadoras.
''O conhecimento do que os chineses e os demais países emergentes querem dos brasileiros ainda é muito pequeno. É superficial. O que nós queremos é estreitar os laços e produzir exatamente aquilo que seja útil'', afirmou Akel.
Ontem, empresários de vários setores participaram em Curitiba de um seminário com representantes dos países emergentes. Em 2004 o valor das exportações para esses países fechou em US$ 12,7 bilhões. Em 2006, o saldo superavitário da balança comercial brasileira em relação a esses países foi de US$ 7 bilhões, embora em relação à Índia tenha havido um déficit de US$ 537 milhões.
A grande dificuldade é exportar produtos com valor agregado. Até por conta do câmbio alto e das taxas de juros do mercado brasileiro. ''A supervalorização do real tem criado dificuldades para os produtos manufaturados. A gente incentiva uma valorização do dólar, para permitir melhoria nas exportações brasileiras. Hoje temos muita moeda forte no mercado, um risco Brasil baixo e juros altos. Se reduzíssimos os juros, poderíamos regular o fluxo de divisas e melhorar o setor'', sugeriu Akel.
Dificuldades A dificuldade em exportar produtos manufaturados foi confirmada pelo empresário Oscar Villanueva, da BR Cargo, que há 30 anos exporta para a China e para os países africanos de língua portuguesa. Villanueva contou que hoje trabalha com consultorias e compra de matéria-prima para exportação. Fechou cinco empresas que tinha por não apostar no Brasil que tem custos altos para operação. O empresário compra hoje madeira, minério de ferro, açúcar e derivados de soja e vende para a China.
''O mercado vai se afinando. Para a China é muito mais barato produzir lá porque o custo Brasil é altíssimo. A tributação brasileira é de 72%. Na China é de 14%. Eles são muito mais competitivos no mercado internacional'', ponderou.
O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, também participou do encontro e disse que o Brasil pode exportar muito mais produtos para a China, desde que aposte nos produtos certos. Ele citou como exemplo uma fábrica paulista que descobriu que na China os banhos quentes são complicados. O empresário estaria ganhando dinheiro vendendo chuveiros elétricos. ''Pode ser que os produtos prontos ganhem espaço na China. Para isso, tem que se apostar em tecnologias novas'', declarou.
O comércio bilateral Brasil-China movimentou em 2006 mais de US$ 16,5 bilhões nos cálculos do governo brasileiro (mais de US$ 20 bilhões, segundo os chineses).


