O Ministério da Agricultura adotou ontem restrições à movimentação de animais e carnes oriundos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para o Estado do Paraná e demais Estados do circuito Pecuário Centro-Oeste. A medida visa impedir a ocorrência de novos focos de aftosa. Por causa de focos registrados no município gaúcho de Jóia, o Rio Grande do Sul perdeu temporariamente a condição de área livre.
Durante todo o dia de ontem, o diretor do Departamento de Defesa Animal, Hamilton R. Farias, esteve reunido em Brasília com os representantes dos Departamentos de Defesa Animal dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para estabelecer critérios para movimentação de animais e produtos de origem animal, de acordo com a análise de risco gerada por essa movimentação.
Até o final da tarde de ontem, os critérios ainda não estavam definidos mas a expectativa era de estabelecimento de barreiras nas divisas de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul e do Paraná com Santa Catarina. A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento está pronta para tomar as providências visando as barreiras interestaduais. ‘‘Só não sabemos se as barreiras vão ocorrer diretamente com Santa Catarina ou se iremos reforçar um bloqueio entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul’’, disse o diretor Norberto Ortigara.
O Paraná conquistou a condição de área livre de febre aftosa em maio desse ano, e o ato foi bastante comemorado pelas entidades representantes da agropecuária paranaense, como Faep e Ocepar, que estão empenhadas em criar os caminhos para elevar as exportações de carnes no Estado. Os presidentes da Faep, Ágide Meneguette, e da Ocepar, João Paulo Koslovski, declararam-se surpresos e apreensivos com a possibilidade da ocorrência de focos de febre aftosa no rebanho do Paraná.
Segundo Ortigara, a meta é armar uma estrutura de fiscalização para minimizar o risco. Assim que Brasília der o ‘‘ok’’ todas as medidas técnicas serão adotadas. Os postos da Polícia Militar, da Claspar e da Receita Estadual que atuam nas fronteiras já foram acionados. ‘‘Só estamos aguardando as determinações de Brasília para estabelecer os procedimentos’’, frisou. Certamente serão montadas barreiras em todas as passagens rodoviárias entre Paraná e Santa Catarina, onde existem 12 postos que supervisionam as fronteiras.
A Ocepar não descartou a possibilidade de ajuda ao governo estadual para reforçar a vigilância. Segundo Koslovski, poderá será convocada uma reunião de emergência do Conesa - Conselho Estadual de Sanidade Animal.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, também se mostrou apreensivo com a ocorrência da doença no RS e destacou que de certa forma está tranquilo porque o Paraná tem as melhores condições para manter o status sanitário conquistado em maio. ‘‘O que não podemos é baixar a guarda, porque a Faep investiu mais de R$ 1 milhão desde que iniciamos a parceria com o governo estadual em 1996.’’ Segundo Meneguette, o risco é que a Região Sul do País é uma região geográfica contígua e ele defende que a Secretaria da Agricultura precisa agir rápido e acionar a fiscalização o quanto antes.

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