Vânia Casado
De Curitiba
O Paraná quer que o governo federal volte a fazer estoques de feijão para evitar o desequilíbrio provocado no mercado com o excesso de oferta e queda no consumo. O momento ideal para o governo entrar no mercado é agora quando há excesso de oferta no mercado e os preços estão em baixa, defende o secretário da Agricultura em exercício Norberto Ortigara.
Ortigara enviou um pedido ao ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes para que libere recursos imediatamente para a formação de estoques reguladores de feijão.
Estão sendo solicitados R$ 23,5 milhões para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comprar 50 mil toneladas de feijão preto, que corresponde a 20% da safra paranaense. A compra tem que ser feita nos próximos 20 dias, sob pena dos preços pagos ao produtor desabarem ainda mais, disse Ortigara. O Paraná também estuda uma forma de enxugar o mercado de feijão de cores.
Conforme levantamento feito pela Secretaria da Agricultura, os produtores de feijão preto - em maior dificuldade - estão recebendo entre R$ 25,00 e R$ 27,00 a saca de 60 quilos, enquanto o preço mínimo fixado pelo governo federal é de R$ 28,00 a saca.
Clima O documento enviado ao ministro alerta para a situação difícil pela qual passam os produtores que tiveram suas lavouras seriamente afetadas pelas variações do clima nos últimos quatro meses, com seca, chuvas de granizo e ventos frios. Esses fenômenos provocaram a quebra de 24% na produção de feijão (cores e preto), que causou um prejuízo de R$ 58 milhões.
Agora no período da comercialização os produtores estão enfrentando uma nova situação difícil. É que mesmo com a perda de safra no Paraná, o excesso de oferta ainda é muito grande. Para o corretor Cicero Malucelli, a situação tende a se agravar ainda mais. Além do Paraná, está para entrar no mercado safra nova de outros estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo e Irecê, na Bahia.
Paralelamente ao excesso de oferta que está abarrotando os principais mercados do país como São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste, está havendo uma queda no consumo. Segundo Malucelli tradicionalmente esse mês apresenta queda no consumo em função das férias escolares e do verão, quando as pessoas reduzem o consumo de feijão. Ocorre que esse ano a queda no consumo está mais acentuada do que o esperado e ela vem ocorrendo desde o mês de novembro, sem
parar. ‘‘ Eu acho que é falta de dinheiro mesmo para as classes mais pobres’’.
O corretor lembrou que negociava a venda de até três carretas fechadas de feijão para o Nordeste por semana e agora não está fechando uma. Os comerciantes e atacadistas nordestinos estão optando pela compra da safra de feijão de Irecê e de estados produtores mais próximos, porque o frete é bem mais barato e a qualidade do produto é melhor. Com isso a oferta de feijão cresce aqui no Paraná e Santa Catarina e se o governo não intervir, ‘‘os preços vão cair mais ainda’’, prevê.
Segundo Malucelli, a pressão de venda dos produtores e atacadistas é muito grande e está difícil sustentar preço. Com a previsão que a região de Irecê na Bahia deverá colher entre duas a três milhoes de sacas, as cotações estão caindo todos os dias. Na semana passada, o feijão de cor era vendido no atacado por R$ 45,00 a saca e ontem já estava sendo comercializado por R$ 40,00 a saca.Preocupação inicial é com o feijão preto, mais prejudicado. Mas Seab também quer enxugar o mercado do carioca e outros tipos
PREÇO ‘‘FIXO’’O preço ao produtor caiu mais de 30% em um mês, mas atacado e varejo não repassaram a diferença ao consumidor

mockup