Empresários, trabalhadores das áreas da indústria, comércio e agricultura e políticos paranaenses se reuniram ontem para o lançamento oficial do projeto ''Energia Solidária''. O projeto tem como meta a integração do Paraná num movimento voluntário de economia de energia elétrica, evitando com isto a possibilidade de restrições mais drásticas do consumo de energia na maior parte das regiões do Brasil.
Dados levantados pelo Movimento Pró-Paraná indicam que mais de 26% do consumo total de energia elétrica no ano passado foram utilizados para aquecimento direto, refrigeração e condicionamento de produtos. ''Isso significa que poderemos fazer uma economia maior de energia se todos os setores de classe, dos órgãos públicos e indústria até o comércio e o setor de serviços, se conscientizarem'', afirmou o coordenador do Comitê pelo Pró-Paraná, Afonso Celso Camargo. A meta dos empresários paranaenses é a de economizar 10% de energia elétrica. O governo federal aponta como meta para o Sul 7% de redução de consumo.
O Paraná não corre riscos de racionamento e é apontado como gerador de 60% da energia de toda a Região Sul. ''Mas nem por isso o Paraná tem que ficar longe do esforço nacional pela redução do consumo. Os problemas econômicos do País podem ser refletidos no nosso Estado'', salientou o engenheiro Afonso Camargo. Já o empresário José Carlos Gomes Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), disse que a posição do Paraná não é tão privilegiada. ''É preciso desmistificar as declarações de que o Sul é auto-suficiente em energia. A visão histórica tem mostrado que a Região Sul tem importado mais energia do que exportado'', apontou ele. Este ano, a capacidade dos reservatórios do Paraná está em 98%. Mas em anos anteriores, o Estado viveu momentos difíceis de estiagem, com capacidade de operação de 29%.
Carvalho destacou que se o governo federal quiser afastar definitivamente o ''fantasma do apagão'' terá que acrescentar em quatro anos mais 40 mil megawatts (MW) nos atuais 72 mil MW produzidos no País. O caminho poderia ser a construção de 54 novas hidrelétricas e termelétricas que já estão em fase de planejamento.
O projeto ''Energia Solidária'' deverá ter, além de espaço para conscientização popular, o aprofundamento de estudos que possam facilitar a geração alternativa de energia elétrica. Entre os pontos que serão abordados em encontros futuros estão incremento da utilização do gás natural pelas indústrias (através da Compagas), da biomassa (bagaço da cana-de-açúcar), das usinas produtoras de álcool e açúcar (Alcoopar), do xisto e da reciclagem de pneus.
Fazem parte do projeto representantes da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Companhia Paranaense de Gás (Compagas), Petrobras, Banco Regional de Desenvolvimento Econômico e Social (BRDE), Alcopar, Fiep, Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar).

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