O Paraná tem as condições ideais para consolidar o programa brasileiro de produção de biodiesel: é o segundo maior produtor brasileiro de soja (uma das matérias-primas utilizadas na fabricação de diesel à base de óleos vegetais) e já desenvolve tecnologia para produção do combustível através do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). A afirmação é do coordenador da Tecpar, José Domingos Fontana. Ele participou ontem, em Londrina, da abertura do 1º Seminário de Biodiesel do Estado do Paraná. O evento termina hoje.
Produzido a partir de oleaginosas como soja, canola, girassol, mamona, dendê e golza, entre outras espécies, o biodiesel foi concebido para ser acrescentado no óleo diesel à base de petróleo. A vantagem, segundo Fontana, é que o produto é menos poluente. Além disso, por ser uma nova atividade dependente da produção agrícola, vai criar oportunidades no campo, aumentando a renda gerada pelo agronegócio estadual.
O programa para produção de biodiesel é apoiado pelo governo do Paraná. O vice-governador e secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, afirmou que o Estado está investindo em pesquisas através de instituições como Tecpar, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e universidades.
A idéia inicial é permitir que o agricultor produza o biocombustível para ser usado na propriedade e em pequenas comunidades. ''Nesse caso não será necessário fazer grandes investimentos'', considerou o secretário. Ele lembrou que o êxito do programa depende da organização de todos os setores envolvidos. A expectativa é que o biodiesel comece a ser produzido em um ano.
''A coordenação deve ficar sob responsabilidade da Copel'', adiantou Pessuti. O desafio, segundo ele, é desenvolver tecnologias para produção do biodiesel a partir de oleaginosas diversas da soja, com ênfase em culturas de inverno.
O secretário de Política de Informática e Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Francelino Grando, afirmou que a soja produzida pelo País não pode ser desviada das exportações e do mercado interno para atender à produção de biodiesel. ''É preciso viabilizar outras culturas para não canibalizar a renda que a soja traz'', disse.
A curto prazo, porém, a soja é a única oleaginosa cuja produção é suficiente para atender à demanda para geração do novo combustível. Segundo o representante da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e superintendente industrial da Cooperativa Agropecuária Mouraoense (Coamo), Germano Ottmann, se o programa implantado no Brasil for do tipo B2, que prevê a incorporação de 2% de biodiesel ao diesel convencional, serão necessárias 600 mil toneladas de óleo de soja por ano para a produção do combustível. ''Representa apenas 6% do total produzido pelo País'', disse.

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