Vânia Casado
Lideranças da agropecuária estarão reunidas com o secretário nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ibrahim Fayad, na segunda-feira, em Curitiba, para debater o plano safra 99/2000. Insuficiência do crédito e falta de regras para a comercialização são os principais assuntos. O encontro será na Ocepar, onde estarão presentes também representantes da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento.
As lideranças esperam de Fayad uma sinalização sobre a redução das taxa de juros no crédito agrícola e uma eventual correção nos preços mínimos dos produtos. O governo não tem um plano de safra ainda fechado e Fayad vem ao Paraná mais para ouvir sugestões. A divulgação do plano da safra 99/2000 está previsto para o final do mês.
Mesmo sem recursos, a safra de verão 98/2000 no Paraná teve excelente desempenho com a produção de 17 milhões de t de grãos, auxiliada por um clima favorável. Se o setor tivesse acesso a mais recursos, certamente a resposta seria muito melhor porque os produtores teriam mais crédito para investir em tecnologia, observou Flávio Turra, assessor econômico da Ocepar.
Para Turra, a oferta de recursos estimada para a próxima safra está muito abaixo das necessidades do país. Segundo ele, com a escassez de recursos o governo já acenou com a possibilidade de liberar apenas entre R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões para a safra 99/2000, que corresponde a metade do que foi anunciado no ano passado e foi pouco para atender a demanda por recursos.
Segundo Turra, uma das discussões será a necessidade de o governo identificar novas formas de financiamento, que pode ser a ‘‘63 caipira’’ novamente, mas reformulada. A sugestão da Ocepar é que os recursos dessa linha, captados no exterior, sejam protegidos com um ‘‘hedge’’ contra variação cambial, mecanismo que deve ser repassado aos produtores. A preocupação é evitar que os produtores sejam flagrados novamente por uma alteração drástica de correção de câmbio como ocorreu no início do ano, que elevou a dívida daqueles que recorreram a financiamentos externos.
Outra reivindicação que será apresentada é a definição de regras mais claras para a comercialização da produção agrícola. Uma delas será o fortalecimento da política de garantia de preços, afirmou Turra. O governo, através da Conab, já sinalizou que poderá corrigir os preços mínimos e essa política será cobrada de Fayad na segunda-feira. O argumento das cooperativas é que a falta de estimulo ao produtor, através da política de preços mínimos, está resultando na redução da produção de milho e consequente elevação dos preços, num momento que a commoditie está em baixa no mercado internacional.

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