O Paraná propôs ao governo federal o pagamento de parte da dívida renegociada com o Tesouro Nacional por meio de ações de novas usinas termoelétricas e outros investimentos públicos que possam ampliar a oferta de energia e de fontes alternativas, como é o caso da construção da rede de distribuição de gás natural na capital (Curitiba). O Paraná é um dos principais produtores de energia elétrica no País.
O secretário de Planejamento do Paraná, Miguel Salomão, defendeu ontem que, enquanto os investimentos do setor privado para melhorar a infra-estrutura do País não chegam, 30% dos recursos atualmente destinados ao pagamento dos juros da dívida refinanciada sejam aplicados no setor energético. ‘‘Não se trata de uma compensação, mas de uma medida com retorno rápido e concreto’’, ressaltou.
Segundo Salomão, os R$ 700 milhões anuais que o governo paranaense vem desembolsando para cumprir com o contrato de renegociação da dívida com a União dariam para construir uma termoelétrica de porte da Usina Salto Caxias, inagurada recentemente. O secretário criticou o excesso de burocracia que retarda a liberação de empréstimos para as estatais estaduais ampliarem seus investimentos no setor.
O Paraná está aguardando a liberação de um empréstimo de R$ 200 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que a Compagás, empresa estatal, estenda a rede de distribuição de gás natural importado da Bolívia até Curitiba. ‘‘Se não existissem tantas exigências, ainda haveria tempo de estimular a população a usar gás natural nos chuveiros e aquecedores durante este inverno’’, acrescentou Salomão.
Apesar de estar excluído, por enquanto, do racionamento, o Paraná está preocupado com as perdas já computadas pela estatal do setor, a Copel, por causa da diferença entre os preços pagos a Itaipu (R$ 53 por megawatt/hora) e os R$ 37 cobrados na revenda para os Estados do Sudeste, cumprindo tabela da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Segundo Salomão, essas perdas serão ainda maiores a partir de agosto, quando a região Sul aumentar de 5.300 megawatts para 6.500 megawatts o volume de energia elétrica exportado para o Sudeste. A capacidade será ampliada em decorrência da restauração da terceira linha de Furnas. (AE)

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