Paraná proíbe entrada de transgênicos
Paraná proíbe entrada de transgênicos
Soja e milho geneticamente modificados não podem entrar no Paraná sem o crivo da Seab. Decisão foi tomada ontem
Vânia Casado
PrecauçãoPoloni: comissão de biosegurança para acompanhar testes Está proibida a entrada de produtos transgênicos no Paraná sem a autorização da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. A medida foi adotada pelo secretário Antonio Leonel Poloni, com base na lei estadual de Defesa Sanitária Vegetal, que regulamenta as experiências com soja e milho transgênicos, feitas por empresas privadas. O Paraná quer ter controle sobre as experiências em território paranaense. A proibição se estende também à importação de soja ou milho transgênico para uso comercial.
Para acompanhar as experiências iniciadas no ano passado, a Seab formou uma comissão de biosegurança, representada por instituições públicas e privadas de Agricultura, Saúde, Meio Ambiente, Pesquisa, Ensino, Assistência Técnica e ONGs, com o objetivo de analisar e propor decisões sobre a autorização de uso ou não de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). As experiências realizadas até agora têm a permissão da Comissão Técnica Nacional de Biosegurança - CTNBio.
A Seab quer saber tudo o que está acontecendo em termos de pesquisa envolvendo os dois principais produtos. A soja geneticamente modificada recebe um gene na semente, que vai produzir uma proteína para tornar a planta resistente a um herbicida. Segundo os testes, são vários genes que estão sendo introduzidos.
Milho Já a semente de milho recebe uma toxina, que vai dar resistência à planta num ataque de insetos e doenças.Nenhum desses produtos foi testado no Brasil para consumo humano, portanto não sabemos o impacto que possa causar nos alimentos fabricados com produtos transgênicos, afirmou Alvir Jacob, técnico da Seab.
Segundo Poloni, o milho e a soja são os produtos mais importantes da economia paranaense e sustentam uma cadeia agropecuária importante como suínos e aves, que não pode ser colocada em risco diante de uma tecnologia que ainda está sendo questionada pelos institutos de pesquisas.
Ele acrescentou que a medida visa a preservar os produtos paranaenses de uma possível retaliação comercial por parte da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estabelece normas rígidas para o comércio internacional de alimentos. O assunto ainda é novo, polêmico e não está disciplinado no Exterior. A Seab está adotando uma medida preventiva.
Monsanto Para a Monsanto, que está realizando testes com soja geneticamente modificada no Paraná, a decisão da Seab não inviabiliza a continuidade das experiências. Segundo o diretor de regulamentação da empresa, Luiz Abramides do Val, o que vai mudar é que daqui para a frente todas as informações sobre o assunto terão de ser submetidas à comissão estadual formada pela Seab.
A Monsanto tem uma área de 50 ha com plantio experimental de soja transgênica em Ponta Grossa e pretende obter autorização para uso comercial desse produto no primeiro semestre de 99. A empresa está realizando dois tipos de testes. Um deles refere-se à necessidade de atender às exigências do receituário agronômico. O outro refere-se à multiplicação de sementes geneticamente modificadas para uso comercial. O resultado desse plantio em Ponta Grossa, que já foi colhido, ainda não foi testado. A soja foi beneficiada e espera ser validada pelos institutos de pesquisas no país, admitiu Abramides.
O Centro Nacional da Soja, em Londrina, está acompanhando os testes feitos com organismos geneticamente modificados. O pesquisador da área de biotecnologia, Ricardo Vilela, aprovou a decisão da Seab, afirmando que o órgão estadual tem o direito natural de ter acesso a todas as pesquisas que estão sendo feitas no Estado.





