Curitiba - O Paraná, que se destaca como maior produtor nacional de milho, vai colher este ano uma safra 24% inferior à do ano passado, considerando. Com o fim da colheita da safra normal e escassez na produção paranaense, que sinaliza o comportamento do mercado nacional, o Brasil este ano pode voltar a importar milho, ao contrário de 2001 quando exportou 5,6 milhões de toneladas.
A oferta de milho está ajustada à demanda e a tendência do produtor e cooperativas é segurar a safra, para vendê-la em situações mais favoráveis no mercado. Das 7,4 milhões de toneladas colhidas na primeira safra (2001/2002), apenas metade da produção foi vendida, informou Flávio Turra, assessor econômica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Outros 2 milhões de toneladas de milho safrinha ainda serão colhidos até setembro.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), as duas safras de milho (normal e safrinha) cultivadas no Paraná devem totalizar 9,5 milhões de toneladas, que representam uma queda de 24% em relação ao ano passado, quando o volume colhido atingiu 12,5 milhões de toneladas.
A queda na produção foi provocada pela redução na área plantada da safra normal, que caiu para 1,47 milhão de hectares. Na época, os produtores optaram por plantar mais soja em função do câmbio valorizado. Além da redução de área, o desempenho da safrinha este ano foi prejudicado pela estiagem que atingiu as lavouras. A safrinha deve render uma produção de 2,18 milhões de toneladas, que representa uma queda de 28% em relação à produção anterior, cujo volume atingiu três milhões de toneladas.
Diante da escassez na oferta, a tendência do mercado é voltar a importar o produto como fazia em anos anteriores. O problema é que os países que dispõem de milho atualmente - como Argentina e Estados Unidos - têm o produto transgênico, rejeitado no Brasil, lembrou a engenheira agrônoma do Deral, Rossana Catiê de Bueno Godoy. No ano em que foi importado milho com a suspeita de ser transgênico, várias ações judiciais tentaram impedir a continuidade das importações, disse a técnica.
Nesse caso, os maiores consumidores de milho que são os setores da avicultura e da suinocultura devem adicionar outros produtos à ração animal, como farelo de soja, triticale e sorgo.

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