O aumento dos juros e o pacote fiscal vão ocasionar um aumento nos custos da produção agrícola no Paraná e, como consequência, perda de renda para os produtores. A avaliação é do presidente da Faep (Federação da Agricultura do Paraná), Ágide Meneguette. Para ele, os agricultores vão perder renda porque não vão ter como repassar o aumento dos custos para o produto. ‘‘Infelizmente não tem como repassar, não somos nós que definimos o preço’’.
O presidente da Faep disse que ainda é cedo para avaliar qual o impacto
das medidas nos custos, mas ele acredita que o aumento pode chegar a até 10%.
Segundo Menegette, 60% dos agricultores do Estado têm financiamentos a
taxas de mercado, portanto, vão sofrer o impacto da elevação dos juros.
Pelo lado do pacote fiscal, Meneguette reclama da alta dos combustíveis.
‘‘Se o diesel subir 6%, isso é custo’’, disse ele. O Paraná é o maior produtor de soja do país. A agricultura é um setor que não tem força para transferir custos para outros segmentos, mesmo em condições normais. Agora que o consumo tende a recuar, a chance de repasse dos custos será ainda menor. A Ocepar estima que a safra do ano que vem deve chegar a 7,5 milhões de toneladas, contra 6,5 milhões este ano, ou 25% da produção nacional.
A liberação de crédito via ‘‘Antecipação de Contrato de Crédito (ACC) para o fornecedor de insumos’’, destinada à fabricação de produtos para exportação, terá alcance limitado na agricultura, mas deve favorecer outros setores, como o automobilístico ou têxtil, em que a cadeia produtiva tem menos participantes até o exportador final. É o que acredita o consultor da Agroconsult, André Pessoa.
Segundo ele, o governo não pensou no agribusiness ao anunciar as novas medidas. ‘‘Não que as medidas de incentivo sejam ruins, mas a eficácia estaria em uma melhor flexibilização das exigências de garantias ao financiamento e na concessão de qualquer crédito para a agricultura.’
A nova medida é uma ampliação de linhas já disponíveis para o setor de agribusiness. Na opinião do consultor, o governo tomou boas decisões. O impulso ao setor agrícola estaria nas mãos do setor financeiro. ‘‘Cabe ao sistema financeiro perceber que o risco da agricultura de hoje é completamente diferente do cenário de cinco anos atrás’’, disse.

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