Paraná pressiona Pratini: crise do milho
Vânia Casado
De Curitiba
A possibilidade do processo de sorologia no rebanho bovino do Paraná vir a ser comprometido em função de falhas na campanha em outros estados do Circuíto Pecuário CentroOeste está preocupando os produtores paranaenses. Para evitar a concretização desse temor, as lideranças da agropecuária se reúnem hoje, em Toledo, para apresentar as reivindicações do setor ao ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes. O ministro está desde ontem no Paraná onde participou da solenidade de abertura da Expovel, em Cascavel. Em Toledo haverá assinatura de cooperação técnica com empresa norueguesa Akvaforst do Brasil, que vai investir em projetos de produção de organismos aquaticos.
Participam do encontro o secretário Antônio Poloni; o presidente da Faep, Ágide Meneguette, e da Ocepar, João Paulo Koslovski. A intenção dos produtores é pressionar o ministro para que atenda as reivindicações do Paraná. A falta de recursos para o plantio da safra de verão e a demora na remoção dos estoques de milho dos estados do Centro-Oeste para o Paraná são outros problemas mais emergentes que serão discutidos com o ministro.
O processo de sorologia está previsto para ser encerrado no estado no dia 30 de novembro e a preocupação é que ela possa atrasar em outros estados do Circuíto Pecuário Centro-Oeste. Se isso acontecer, a apresentação do resultado à Organização Internacional de Epizootias, em dezembro desse ano estará comprometida. Nesse caso não há mais tempo hábil para que a OIE emita a declaração de que a região é considerada área livre de febre aftosa, prevista para maio de 2.000. Aí é só para 2.001, disse o presidente da Faep, Ágide Meneguette.
Por isso, os produtores vão lembrar o ministro Pratini de Moraes do compromisso já assumido por ele e pelo ministro anterior, Francisco Turra, de que se acontecesse algum fato inesperado que impedisse o Circuíto Pecuário Centro-Oeste de avançar no processo de reconhecimento internacional, o Paraná seria excluído desse circuito e incorporado ao Circuíto Sul. O Circuíto Sul é integrado pelos estados do Paraná e Santa Catarina, que já são considerados estados livres de febre aftosa. Segundo a Faep, o Paraná reúne as condições para mudar de circuíto porque tem dois terços de seu território na região Sul e um terço mais integrado à região Centro-Oeste. Além disso possui fronteiras muito delimitadas com o Paraguai e o estados do Mato Grosso do Sul, através do rio Paraná e com o estado de São Paulo, através do rio Paranapanema.
Falta de recursos
Os produtores vão reivindicar ainda a liberação de recursos para complementar o custeio da safra de verão. Como o governo vem argumentando que não tem dinheiro disponível, a Faep e Ocepar vão sugerir que o governo federal amplie o percentual sobre as exigibilidades bancárias, que representa o volume de recursos dos bancos destinado à aplicações no meio rural. Atualmente esse percentual está em 25% e as entidades paranaenses querem a ampliação para 30%, o que representa a disponibilidade de R$ 1 bilhão adicional para o financiamento agrícola, em todo o país.
Segundo a Faep e Ocepar, esse ano aumentou muito a demanda por recursos para o custeio em função de dois fenômenos. O primeiro é o aumento de 20% a 30% no custo dos insumos, em decorrência da alta do dólar. O segundo fato complicador foi a saida das revendedoras de insumos do financiamento direto aos produtores, como fazia em anos anteriores. As revendas também estão se preservando em função da desvalorização cambial e da inadimplência ocorrida de forma acentuada na safra passada.





