Paraná pratica agricultura de gestão
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 1996
Oswaldo Petrin 
A necessidade de reduzir custos vem impondo racionalidade e novos hábitos administrativos ao campo. Investimentos que não acenam com taxa de retorno são colocados em xeque. Nesse contexto, a ociosidade ou subutilização do equipamento, ou de capital imobilizado, tem que ser evitada e os serviços terceirizados. Colheitadeiras e tratores estacionados no galpão durante longos períodos entre uma safra e outra já não compõem o cenário das sedes das fazendas de grãos do Paraná. Na época certa, elas aparecem para fazer o serviço necessário, mas pertencem a uma empresa especializada naquela operação - preparo de solo, plantio, tratos culturais ou colheita. Principalmente colheita.
No entanto, a transformação por que passa a administração da empresa agrícola é mais do que isso. A segmentação das atividades leva os proprietários da fazenda ou mesmo a média e pequena propriedades, a evoluírem para o que o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Laurenti chama de empreendedores da produção agrícola, enquanto emergem e prosperam as unidades prestadoras de serviços, que são as empresas especializadas em aluguel de máquinas, por exemplo.
Este processo, que não é novo mas avança rapidamente, foi objeto de tese de doutorado do pesquisador Antonio Carlos Laurenti, da Área de Sócio-economia do Iapar, no Instituto de Economia da Unicamp. A terceirização na Agricultura - A dissociação entre a propriedade e o uso dos instrumentos de trabalho na moderna produção agrícola paranaense.
A atitude de empreitar serviços como a construção de um açude, por exemplo, é um hábito na agricultura. No entanto, seu crescimento está na transição para uma agricultura cuja necessidade de empate de capital é menor por parte do empreendedor da produção agrícola. Embora a terceirização ocorra em várias operações, é na fase de colheita que ela mais tem se destacado no Paraná.
Laurenti estuda o processo, justifica as mudanças e reúne dados para balizar a tendência da terceirização que também pode ser chamada de produção agrícola em rede - que é quando a organização da produção deixa de ser executada por um único tipo de unidade agrícola, passando a ser feita por unidades especializadas. Ou, ainda, pode ser designada de Externalização - a transferência de tarefas que possam ser executadas por agências ou empresas externas.
Agricultura de gestão A tese de Laurenti se referencia na Agricultura de Gestão e traz argumentos para sustentar que a terceirização parcial continua sendo importante na pequena e média propriedades onde a polivalência do trator - que tem uso mais intenso - não dispensa a contratação de terceiros. A frequência, porém, é maior com relação às colheitadeiras.
O processo de terceirização - ou outro termo que se use para designar a contratação de terceiros para tarefas específicas - tende a dissociar a posse da terra do capital fixo operacional. A política agrícola que racionaliza recursos e remete o setor para um mercado cada vez mais competitivo, pode ser indutora desse novo conceito de organização da produção agrícola.
Já se pode imaginar que o empresário que detém a posse da terra é um empreendedor agrícola cuja produção não depende da manutenção de uma grande estrutura de equipamentos. Ele gerencia os fatores de produção, aporta o capital terra e capital de custeio ficando o capital imobilizado de máquinas e o gerenciamento da mão-de-obra a cargo da empresa executora dos trabalhos agrários.
No Estado do Paraná a terceirização não ocorre apenas na colheita: está acontecendo em quase todos os setores. No entanto, está um pouco distante de se igualar ao que acontece na Itália ou na França, por exemplo, onde o produtor de leite é proprietário apenas do lugar e terceiriza todos os demais meios de produção. Ele é o perfil do empreendedor.


