Paraná pode ter safra recorde de grãos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Se tudo correr bem com o clima neste inverno, ou seja, sem fortes quedas de temperatura e sem uma severa geada, como a que ocorreu em meados de 2013, o Paraná poderá colher a maior safra de grãos de sua história este ano, quando somadas as safras de verão e inverno, totalizando 37,4 milhões de toneladas. A estimativa foi anunciada no início dessa semana pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O chefe do Deral, Francisco Simioni, afirma que os 22 milhões de toneladas de grãos da safra verão já estão garantidos nos armazéns. "Agora vamos esperar que a expectativa de colheita de 15 milhões de toneladas, volume esperado para o ciclo de inverno, se concretize", observa. O chefe do Deral salienta que tudo indica que o clima vai contribuir para a boa evolução das lavouras, assim como ocorreu na safra de verão.
Ao todo, é esperado para a safra 2014/15 um volume de produção de 37,4 milhões de toneladas de grãos, ante 35,9 milhões de toneladas referentes ao ciclo 2013/14. Simioni afirma que o recorde na produção eleva a rentabilidade em toda cadeia, ajuda a capitalizar ainda mais os produtores e também os municípios que dependem do agronegócio para movimentar a economia. "O anúncio de recorde de safra é uma boa notícia, principalmente porque estamos em um período de realinhamento e reordenamento econômico no Brasil", observa o chefe do Deral.
O desafio a partir de agora, avalia Simioni, é garantir uma safra de inverno com alta qualidade e produtividade. Com uma boa produção, esse é o momento do produtor aproveitar a entressafra para fazer a comercialização do ciclo de verão para se capitalizar ainda mais, já que "nem toda safra pode ser tão boa quanto as deste ano", orienta.
Aproveitando o grande volume de produção com preços atrativos, Simioni completa que o produtor deve planejar os seus investimentos com projetos de médio e longo prazos. "Além disso, o agricultor deve sempre ficar atento ao mercado e ficar principalmente de olho na meteorologia", salienta o especialista.
O Paraná é o segundo maior produtor de grãos, ficando somente atrás de Mato Grosso que, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), deve produzir na safra 2014/15 mais de 49 milhões de toneladas de grãos, 2,8% a mais no comparativo com o ciclo anterior.
Commodities
Os dados da produção de soja no Paraná no ciclo de verão já foram confirmados. Ao todo, o Paraná produziu no primeiro ciclo 16,9 milhões de toneladas da oleaginosa, volume 16% maior se comparado com o mesmo período do ano passado. Em área, foram destinados para a cultura 5,07 milhões de hectares, 4% a mais no comparativo com o ciclo 2013/14. Simioni destaca que a soja continua sendo o carro-chefe da produção agrícola paranaense.
O milho segunda safra será outra cultura que terá uma grande contribuição para que o Paraná alcance o recorde de produção. De acordo com dados divulgados pelo Deral, são esperadas somente nesta segunda safra 10,04 milhões de toneladas, ante 10,36 milhões de toneladas recolhidas no ciclo 2013/14. A área destinada para o grão neste inverno é a mesma se comparada à safra anterior, que foi de 1,89 milhão de hectares.
A semeadura do trigo já iniciou em todo o Estado. Neste ano, os triticultores paranaenses devem plantar 1,36 milhão de hectares, um leve recuo de 2% se comparado ao ciclo anterior. Hugo Godinho, especialista da área de triticultura do Deral, afirma que a queda no preço pago ao produtor desestimulou muitos agricultores a plantarem o cereal neste ano. Na última semana, o preço da saca chegou a R$ 35,15. A média do ano passado foi de R$ 42,00/sc.
A lavoura de feijão segunda safra também tem apresentado boa qualidade de produção devido à estabilidade do clima. O Deral estima que a safra de feijão deve chegar a 410 mil toneladas, volume 2% superior ao registrado no mesmo ciclo do ano passado.
Clima
Samuel Braun, meteorologista do Simepar, afirma que ainda é muito cedo fazer qualquer previsão exata de como será o inverno. Porém, ele frisa que tudo indica que a estação não terá grandes problemas. O verão, lembra Braun, foi mais quente do que o normal, mas a partir de fevereiro as temperaturas ficaram mais amenas e as chuvas constantes.


