Paraná pode ter R$ 4 bilhões para a casa própria
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segunda-feira, 19 de julho de 2010
Andréa Bertoldi com Agência<br>Estado Equipe da Folha 
Curitiba - A Caixa Econômica Federal pretende fechar o ano de 2010 com um valor total financiado em crédito para a compra da casa própria de R$ 4 bilhões no Paraná, volume 25% maior do que o disponibilizado no ano passado. Desse total, cerca de 30% a 40% serão destinados para a população com renda de até três salários mínimos. Só no primeiro semestre deste ano, o banco já ofereceu um total de R$ 2,161 bilhões em crédito com o fechamento de 29.063 contratos ou 88% a mais que no mesmo período de 2009 e sete vezes mais que em 2003. Foram beneficiadas 117.996 pessoas. Esse montante, já é maior do que todo o recurso liberado no ano de 2008 que foi de R$ 1,5 bilhão. Só o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) representou 57% do total de recursos liberados nos primeiros seis meses do ano.
Em Curitiba, foram liberados R$ 852 milhões em crédito imobiliário - 76% a mais que no primeiro semestre de 2009 - em 12.235 contratos que beneficiaram 49.451 pessoas. A meta é fechar 2010 com R$ 1,9 bilhão. Do total financeiro, R$ 293 milhões foram para o programa MCMV que deve atingir 12.018 contratos neste ano.
Um dado interessante do levantamento divulgado ontem pelo banco, em Curitiba, é que 21% dos financiamentos são para pessoas até 30 anos, ou seja, o público que está formando uma nova família. O curioso é que 29% dos contratos são de pessoas acima de 46 anos que, muitas vezes, estão saindo do aluguel, para conseguir o primeiro imóvel próprio. O superintendente da Caixa em Curitiba, Hermínio Basso, disse que essa faixa etária da população não tinha acesso ao crédito e, portanto, à moradia. Além disso, essas pessoas foram beneficiadas pela estabilidade econômica. Hoje, 24% do crédito liberado é para famílias que ganham até três salários mínimos.
Segundo ele, os principais fatores que levaram a esse crescimento do crédito imobiliário foram a redução da taxa de juros, o aumento do prazo de financiamento que chega a até 30 anos, as prestações decrescentes, o aumento da renda, a redução do desemprego, a simplificação operacional, a flexibilização da comprovação da renda, a realização dos feirões da Caixa e o crescimento do número de construtoras, entre outras razões.
Redução de juros
Um dos motivos que levou à redução de juros foi a diminuição da inadimplência acima de 90 dias que já chegou a patamares de 18% no final da década de 80, a 2% em maio de 2009 e hoje é de 1,5%. Isso é importante porque os juros são formados por três fatores: o custo do dinheiro, os impostos e as perdas que as empresas incorporam. Atualmente, os juros anuais da Caixa variam de 4,5% a 10,5% ao ano e já foram de 18% ao ano na década de 90. Com a inadimplência baixa, o banco pode fazer a reaplicação dos recursos no sistema.
Ainda dentro do programa MCMV, foram realizados 34.447 contratos desde a criação em abril de 2009 até agora, no valor total de R$ 2,1 bilhões. A meta é atingir 44.172 contratos e o Paraná já alcançou 78% do objetivo.
O banco tem 81,8% do mercado de habitação no País. De acordo com ele, o Paraná e Curitiba tem um volume de deficit habitacional menor do que o restante do Brasil. Do total de 1 milhão de moradias previstas para 2010 no Brasil, 12% são na região Sul. A ideia, de acordo com o superintendente, é que o deficit no Paraná seja reduzido ou termine antes de outros estados brasileiros. O Estado tinha um deficit no final de 2009 de 44 mil unidades ou 14%. Ele acredita que o MCMV vai tornar-se permanente por meio de lei mesmo com a mudança de governo federal. ''Estamos no caminho para zerar o deficit habitacional'', destacou.
O aumento do crédito imobiliário também traz repercussões positivas para a economia porque gera impostos e movimenta desde o comércio de móveis até o caminhão de mudança, segundo ele.
Basso destacou que o banco também promoveu mudanças na formatação dos empréstimos que hoje oferecem prestações decrescentes e um sistema de amortização que não deixa saldo residual no final dos contratos. ''Hoje, as famílias têm condições de pagar as moradias'', disse. Hoje, a amortização mais utilizada é o Sistema de Amortização Crescente (SAC).
Ele acredita que o setor tem um espaço grande para crescer. Atualmente, o crédito imobiliário representa de 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. A meta é chegar a 10% do PIB até o final de 2015. Na Espanha, já atinge 60% do PIB.


