Curitiba – O Governo do Estado pode rever os incentivos fiscais que foram concedidos à fábrica da Volkswagen que foi instalada em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) em 1999. ‘‘A decisão é do governador Roberto Requião mas, existe a possibilidade‘‘, disse ontem à Folha o assessor especial do governador e presidente do Conselho de Política Automotiva do Paraná, Mário Lobo.
  A possibilidade foi levantada depois que a montadora anunciou um plano de reestruturação que inclui demissões, redução de custos das fábricas e até fechamento de uma unidade no Brasil. ‘‘Dependendo da justificativa da montadora e do que ocorrer na prática (demissões), o Estado pode sim rever benefícios concedidos pelo governo anterior (Jaime Lerner)’’, afirmou ele.
  Segundo ele, não há interesse em prejudicar as montadoras. De acordo com Lobo, a decisão de abrir as contas das montadoras também depende do governador. A Volkwagen enviou uma carta ao governador na última quinta-feira se colocando à disposição para explicar ao Estado o plano de reestruturação.
  Lobo convocou uma reunião no dia 15 de maio no Palácio Iguaçu para avaliar as implicações do plano de reestruturação da Volkswagen do Brasil, no Paraná. O encontro terá a participação de todos os representantes das montadoras sediadas no Estado, dos sindicatos dos trabalhadores, entidades empresariais, Delegacia Regional do Trabalho e do governo estadual.
  A reunião foi determinada pelo governador que quer informações sobre possíveis implicações do plano da montadora anunciado na semana passada. O Conseho de Política Automotiva é um órgão criado pelo governador para tratar das ações do pólo automotivo no Estado. Recentemente, o conselho analisou denúncias sobre acidentes de trabalho e doenças de trabalhadores.
  No Paraná, a Volkswagen tem desconto nas tarifas de energia, incentivos para exportar pelo Porto de Paranaguá e diferimento no recolhimento de ICMS até 2015, segundo protocolo assinado com o ex-governador Jaime Lerner em 1996.
  ‘‘Cerca de R$ 700 milhões em imposto deixaram de ser recolhidos desde 1999 e podem começar a ser pagos em oito anos‘‘, disse Lobo. Ainda de acordo com ele, o terreno cedido para a fábrica instalar a unidade do Paraná custou R$ 6 milhões. A desapropriação foi feita pelo governo Lerner.
  A montadora quer demitir 5.773 trabalhadores em São Bernardo do Campo, Taubaté e São José dos Pinhais. Só no Paraná, seriam cortados 1.420 postos de trabalho, sendo 946 ainda neste ano.
  Desde ontem, seis dirigentes sindicais da Volkswagen do Brasil estão participando em Wolfsburg, na Alemanha, da reunião do Comitê Mundial de Trabalhadores de empresa que vai até sexta-feira. O encontro ocorre todos os anos para discutir as relações de trabalho, mas o plano de reestruturação anunciado pela montadora deve ser o ponto principal da discussão. Os trabalhadores vão debater formas de como evitar demissões nas unidades do grupo em todo o mundo.

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