O Paraná poderá recuperar o status de área livre de febre aftosa com vacinação na próxima semana. Membros da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) estão reunidos em Paris (França, Europa) desde quarta-feira para discutir, entre outros assuntos da pauta, as ações de sanidade desenvolvidas no Brasil desde que foram detectados os primeiros focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul (MS), em outubro de 2005. Com a incidência da doença no MS e posteriormente no Paraná, as exportações de carne bovina e suína foram embargadas, gerando prejuízos e demissões de trabalhadores.
Durante o encontro técnicos da OIE iriam analisar um relatório - elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) - com informações sobre as ações sanitárias desenvolvidas no País, como a montagem de barreiras sanitárias, sacrifícios, vazio sanitário e resultados dos exames. O Paraná concluiu o período de vazio sanitário em outubro (180 dias após os abates de cerca de 7 mil bovinos), quando houve a reação do preço da arroba do boi, atingindo a casa dos R$ 60. No entanto, o problema do Estado não foi discutido antes porque o Mapa enviou o relatório à OIE apenas no mês passado.
Técnicos do ministério preferiram enviar somente uma documentação para apresentar as ações desenvolvidas nos dois Estados (PR e MS) e em São Paulo, que também teve as exportações embargadas devido à proximidade dos focos. Segundo informações extra-oficiais, no relatório elaborado pelo Mapa haveria dúvidas com relação à origem do foco no Mato Grosso do Sul. Além disso, outras duas questões estariam prejudicando a situação brasileira: o surgimento da aftosa na Bolívia e o próprio Paraguai, onde há boatos não confirmados de incidência da doença. Por isso, uma missão técnica da OIE estaria no Paraguai para averiguar a situação.
Mesmo que o status do Paraná seja recuperado na próxima semana, as exportações não voltarão automaticamente. Os frigoríficos estaduais terão que reconquistar os clientes, com garantias de preço e qualidade. No ano passado, o Paraná registrou redução das exportações de mais de 80% de carne bovina e suína em volume e faturamento. Os prejuízos acarretaram em demissões de mais de 1,2 mil funcionários dos frigoríficos.

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