O Paraná tem plenas condições de readquirir a supremacia brasileira na cotonicultura, desde que o governo reveja a atual política de importação do algodão, que chega ao mercado interno a preços extremamente reduzidos. ‘‘Este é o único caminho’’, considera o empresário Jayme Watt Longo, ao comentar a perda da liderança do Estado para Goiás na cultura - os paranaenses plantaram este ano apenas 70 mil ha, enquanto os goianos chegaram a 78 mil ha.
Longo diz que o produtor de algodão, além de estar descapitalizado, não dispõe de estímulos do governo através de financiamentos. ‘‘É um absurdo não termos esse apoio como existe na maioria dos países produtores’’, afirma, observando que também a queda da produtividade média paranaense - atualmente em 1.500 kg/ha - é consequência da falta de recursos. ‘‘O produtor de algodão precisa colher cerca de 2.400 kg/ha para obter rentabilidade, mas tecnologia custa dinheiro e ele não tem no bolso nem no banco. Portanto, para perder, ele não vai plantar mesmo’’, afirma.
Mesma história A produção de algodão no Paraná está passando pelo que passou o café, lembra o empresário, comentando que o auge da cotonicultura, na safra 91/92, o Estado alcançou 705 mil hectares plantados. ‘‘O café, que já teve 1 bilhão e 600 milhões de pés cultivados, que rendiam cerca de 26 milhões de sacas do produto limpo, hoje não alcança 255 milhões de pés em 136 mil ha, e a produção do café limpo pouco ultrapassa 1,1 milhão de sacas para este ano, e tem expectativa de perto de 2 milhões para o ano que vem’’, comenta Longo.
Mas segundo o empresário, o governo estadual está agindo de forma ‘‘muito adequada’’ em estimular a retomada da cafeicultura no Paraná, através da distribuição gratuita de mudas. O programa, iniciado no ano passado, tem previsão de distribuir 33.308 milhões de mudas, através da Secretaria da Agricultura em convênio com as Prefeituras. O plantio se dará até junho do ano que vem.
Os produtores particulares também não ficam atrás, e estão aprontando outros 22 milhões de mudas para o mesmo período.‘‘Isso é ótimo. Se cada proprietário de área tradicional da cultura plantar apenas 10% em café, o Paraná vai chegar fácil à produção de 10 milhões de sacas dentro de cinco anos’’, compara Jayme Longo. Da área total plantada, 16 mil ha são de café adensado, e até junho de 97, o sistema aumentará para 24 mil ha.
O empresário já cultivou praticamente todos os ‘‘produtos da terra’’, como diz. De café já plantou, com o sogro Geremia Lunardelli, 2 milhões de pés em diversas fazendas no Brasil, e sozinho, em São Pedro do Ivaí, chegou a ter 900 mil covas. O grupo Lunardelli cultivava 17 milhões de pés, até por volta dos anos 70, quando duas geadas fatais liquidaram a cultura do grão no Estado.
Atualmente, Jayme Watt Longo, que também foi colonizador de cidades como Iretama (região de Campo Mourão) e Catuetê (região de Hernandárias, no Paraguai) se dedica mais ao cultivo e à industrialização da cana-de-açúcar no Vale do Ivaí, e também à bovinocultura de corte. Em São Pedro do Ivaí, o empresário mantém um complexo industrial de destilaria de álcool anidro e fabricação de açúcar.
‘‘O Paraná pode recuperar sua agricultura’’, afirma Longo. ‘‘Aqui há a melhor terra do Brasil, que mais parece um jardim. O que falta é estímulo’’.

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