Paraná pode recuperar hegemonia na agricultura
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Egidio Brizola 
O Paraná tem plenas condições de readquirir a supremacia brasileira na cotonicultura, desde que o governo reveja a atual política de importação do algodão, que chega ao mercado interno a preços extremamente reduzidos. Este é o único caminho, considera o empresário Jayme Watt Longo, ao comentar a perda da liderança do Estado para Goiás na cultura - os paranaenses plantaram este ano apenas 70 mil ha, enquanto os goianos chegaram a 78 mil ha.
Longo diz que o produtor de algodão, além de estar descapitalizado, não dispõe de estímulos do governo através de financiamentos. É um absurdo não termos esse apoio como existe na maioria dos países produtores, afirma, observando que também a queda da produtividade média paranaense - atualmente em 1.500 kg/ha - é consequência da falta de recursos. O produtor de algodão precisa colher cerca de 2.400 kg/ha para obter rentabilidade, mas tecnologia custa dinheiro e ele não tem no bolso nem no banco. Portanto, para perder, ele não vai plantar mesmo, afirma.
Mesma história A produção de algodão no Paraná está passando pelo que passou o café, lembra o empresário, comentando que o auge da cotonicultura, na safra 91/92, o Estado alcançou 705 mil hectares plantados. O café, que já teve 1 bilhão e 600 milhões de pés cultivados, que rendiam cerca de 26 milhões de sacas do produto limpo, hoje não alcança 255 milhões de pés em 136 mil ha, e a produção do café limpo pouco ultrapassa 1,1 milhão de sacas para este ano, e tem expectativa de perto de 2 milhões para o ano que vem, comenta Longo.
Mas segundo o empresário, o governo estadual está agindo de forma muito adequada em estimular a retomada da cafeicultura no Paraná, através da distribuição gratuita de mudas. O programa, iniciado no ano passado, tem previsão de distribuir 33.308 milhões de mudas, através da Secretaria da Agricultura em convênio com as Prefeituras. O plantio se dará até junho do ano que vem.
Os produtores particulares também não ficam atrás, e estão aprontando outros 22 milhões de mudas para o mesmo período.Isso é ótimo. Se cada proprietário de área tradicional da cultura plantar apenas 10% em café, o Paraná vai chegar fácil à produção de 10 milhões de sacas dentro de cinco anos, compara Jayme Longo. Da área total plantada, 16 mil ha são de café adensado, e até junho de 97, o sistema aumentará para 24 mil ha.
O empresário já cultivou praticamente todos os produtos da terra, como diz. De café já plantou, com o sogro Geremia Lunardelli, 2 milhões de pés em diversas fazendas no Brasil, e sozinho, em São Pedro do Ivaí, chegou a ter 900 mil covas. O grupo Lunardelli cultivava 17 milhões de pés, até por volta dos anos 70, quando duas geadas fatais liquidaram a cultura do grão no Estado.
Atualmente, Jayme Watt Longo, que também foi colonizador de cidades como Iretama (região de Campo Mourão) e Catuetê (região de Hernandárias, no Paraguai) se dedica mais ao cultivo e à industrialização da cana-de-açúcar no Vale do Ivaí, e também à bovinocultura de corte. Em São Pedro do Ivaí, o empresário mantém um complexo industrial de destilaria de álcool anidro e fabricação de açúcar.
O Paraná pode recuperar sua agricultura, afirma Longo. Aqui há a melhor terra do Brasil, que mais parece um jardim. O que falta é estímulo.


