Paraná pode perder sede da Inepar
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segunda-feira, 15 de abril de 2002
Vânia CasadoEquipe da Folha 
Curitiba A empresa paranaense Inepar Indústrias e Construções está analisando a possibilidade de transferir a sua sede para o Rio de Janeiro. O presidente da Inepar, Atilando Oms Sobrinho, e o conselheiro Mario Celso Petraglia estão convocando assembléia geral com os acionistas para discutir o assunto. A assembléia foi marcada para o dia 30 de abril.
Entre as alternativas que serão debatidas, conforme edital publicado ontem, está a transferência da sede da Inepar de Curitiba para o Rio de Janeiro. E também a transferência da filial da Inepar naquela cidade para Curitiba. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre a transferência de sede. Mas o mercado acredita que a Inepar está pressionando o governo do Estado para obter benefícios fiscais, como a isenção ou prorrogação do recolhimento do ICMS por um período, a exemplo do que o governo vem fazendo para atrair investimentos internacionais ou de outros estados.
Conforme analistas, a alíquota de ICMS de 17% é pesada para uma empresa que está em crise financeira por causa da briga de acionistas, precisando de dinheiro, e que pode ter recebido acenos de isenção fiscal por parte do governo carioca. Na troca de sede e filial, para a empresa, é só trocar a placa, disse um representante do mercado.
Para o Estado, entretanto, a perda é significativa porque pode representar a redução de 3 mil postos de trabalho, que corresponde ao número de trabalhadores contratados pela Inepar no Paraná. Além disso, há a perda de tributos para os cofres estaduais.
Outra hipótese especulada no mercado é que a transferência de sede pode ser o atendimento a uma exigência da entrada de um novo controlador para o grupo. O grupo Inepar vem se desentendendo com os sócios constituídos pelos fundos de pensão e a solução para a crise seria a entrada de um novo parceiro estratégico que pretende controlar a empresa, a partir do Rio de Janeiro.
A Inepar é a maior empresa privada do setor elétrico com sede no Paraná e de projeção nacional e internacional. Sua carteira de encomendas atinge quase R$ 2 bilhões, impossível de cumprir porque a empresa está sem liquidez para investir em equipamentos necessários para atender as encomendas.


