Paraná pode perder recursos para ampliar porto
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terça-feira, 13 de janeiro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério dos Transportes poderá revisar o repasse de recursos já anunciados para ampliação do cais oeste no Porto de Paranaguá, caso o governador Roberto Requião (PMDB) não flexibilize sua posição de proibir a exportação de soja transgênica pelo porto. De acordo com o diretor de Programa de Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes, Paulo de Tarso Carneiro, este e outros investimentos já previstos em portos brasileiros serão reanalisados se o ministério tiver que bancar obras de emergência nos demais portos brasileiros que vão receber a soja transgênica.
O Ministério dos Transportes trabalha com a possibilidade do governador Requião rever sua posição até o último momento. Caso isso não ocorra, os técnicos já estão elaborando o plano B que envolve o transporte de soja por ferrovias e hidrovias até os portos de Santos (SP), Rio Grande (RS) e também aos portos catarinenses de Itajaí, Imbituba e São Francisco do Sul. O governo quer evitar um problema sério de logística que pode ocorrer com o aumento de custos para os operadores.
No mês passado, o Ministério dos Transportes assinou um convênio que prevê o repasse de R$ 150 milhões em recursos federais para obras de ampliação do cais oeste do porto paranaense. O aumento do cais está vinculado ao aumento do escoamento da safra. ''Se isso não ocorrer, o convênio perde seu objetivo'', destacou Paulo de Tarso.
Segundo ele, os operadores não vão desviar somente a soja transgênica para outros portos. A tendência será a de desviar grandes volumes para outros portos para evitar aumentos de custos. Paulo de Tarso reconhece que o Porto de Paranguá é o maior exportador de soja do País, com o escoamento de mais de 30% da safra nacional. Mas com os investimentos em outros portos, eles também se tornarão competitivos e vão constituir em alternativa para a exportação de soja no País, avisou.
O vice-governador e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti, estava na reunião em Brasília e disse que o ministro Anderson Adauto não vinculou em nenhum momento os recursos destinados ao Porto de Paranaguá a uma revisão na decisão do governador. De acordo com Pessuti o ministro falou na elevação dos custos com o transporte da carga com a necessidade de desviar as cargas para outros portos.
Segundo Pessuti, a situação foi prevista e alertada pelo governo do Paraná quando iniciou sua luta contra os transgênicos. ''Não foi por falta de aviso'', afirmou. Ele não acredita que vá ocorrer um problema grave de logística diante do pequeno número de agricultores que firmaram intenção de plantar transgênicos tanto no Paraná como em Mato Grosso do Sul. No Paraná, apenas 549 propriedades e em Mato Grosso do Sul, pouco mais de 100.
Ocorre que na reunião em Brasília, falou-se que nesta safra entre 20% a 30% da produção de soja brasileira seria transgênica. Para Pessuti, um volume tão expressivo assim só seria possível com a mistura de uma carga de soja transgênica com as cargas de soja convencional. Ele alertou novamente para que as misturas não ocorram porque serão barradas no Paraná e a carga será devolvida à origem.


