Curitiba Há três décadas, o Paraná é o maior produtor de feijão do País. Porém, na última safra, por decorrência da seca, o Estado perdeu essa liderança para Minas Gerais. No ano pasado, a produção paranaense ficou em 664.332 toneladas. O Paraná passou de 12,49% (1990) para 21,64% (2004) do total da produção nacional de feijão. O feijão é o quarto produto no ranking de produção de grãos da agricultura estadual, perdendo em volume apenas para o milho, a soja e o trigo.
O pequeno agricultor Waldomiro Bednarchuk, de Mallet (44 km ao norte de União da Vitória) conhece bem essa situação. Com 18 hectares, ele conta que no passado perdeu o correspondente a 5 hectares de plantio. Com isso, sua produtividade ficou em apenas 20 a 25 sacas por hectare, bem inferior à produtividade de Cláudio Roberto Staback, de Contenda, na Região Metropolitana de Curitiba. Na região, ele consegue produzir 40 sacas por hectare, mas enfrenta problemas de comercialização.
Conforme dados do IBGE (1995/96), de um total de 154 mil produtores paranaenses que cultivaram feijão, 91,14% possuíam menos de 50 ha mais de 140 mil eram classificados como pequenos e médios produtores, responsáveis por 73,73% da área colhida naquela safra, o correspondendo a 67% da produção estadual. Os demais produtores (8,86%) foram responsáveis pela ocupação de 26,27% da área e 33% da produção.
Em termos de abastecimento, a produção nacional não é suficiente para abastecer o mercado interno. Nos últimos cinco anos foram importados 94,79 mil toneladas, equivalente a 3,18% da produção nacional. De acordo com as estatísticas oficiais, o consumo per capita de feijão em 1965 foi de 25,6kg por habitante ao ano, em 1997 foi de 18kg/hab e em 2002 chegou a 14,9kg/hab.
O vice-governador e secretário da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti, defendeu a desoneração total para o feijão. Ele disse que já conversou sobre o assunto com o secretário Heron Arzua, da Fazenda, e concluiu que é difícil arrecadar sobre dados que não existem. Para Pessuti, a sonegação que existe na comercialização de feijão pode ser maior do que a do boi. (Colaborou Vania Casado)

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