Paraná pode lucrar com plano de investimentos da Petrobras até 2015
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná terá oportunidades para participar do plano de investimentos da Petrobras que até 2015 vai totalizar US$ 224,7 bilhões. Ontem a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) realizou uma reunião da Câmara de Petróleo e Gás para discutir o assunto e entre as possibilidades que foram detectadas estão o fornecimento de peças e serviços, a movimentação através do Porto de Paranaguá com condições para desembarque de grandes navios, além dos estudos que vêm sendo realizados para a exploração do petróleo em terra nas cidades paranaenses de Pitanga e Goioerê.
''O fornecimento de componentes é a grande possibilidade para o Paraná'', disse o coordenador da Câmara de Petróleo e Gás da Fiep, Jean Carlos Alberini. Entre as peças que a Petrobras vai precisar para o plano nacional de investimentos estão 500 árvores de natal molhada (estrutura de aço utilizada em plataformas no mar), 500 cabeças de poço (usadas nas plataformas), 4 mil quilômetros de dutos flexíveis, 42 mil toneladas de tubos de revestimento e produção, 2.200 quilômetros de umbilicais (tubos que ligam a plataforma até o fundo do mar), 8 mil bombas, 700 compressores, 450 guinchos, 200 guidastes, mil motores de combustão, 350 turbinas, 240 mil toneladas de aço estrutural, 700 mil toneladas de aço estrutural para plataforma, 550 torres, 1.800 tanques de armazenamento, entre outros componentes.
A ideia é que 70% destes componentes sejam produzidos no Brasil. As necessidades vão desde serviços até equipamentos de alta tecnologia. Serão necessários desde uniformes profissionais até serviços de refeição.
O grande problema, segundo Alberini, é que hoje a indústria nacional não tem competitividade para tanto, por questões de infraestrutura, tributação e câmbio. Ele comentou que os contratos de valores maiores estão sendo direcionados para as multinacionais sediadas no Brasil, por terem mais capacidade tecnológica. ''O Paraná tem toda a possibilidade de participar. Não há fronteiras regionais e o Estado pode fornecer para o Brasil todo'', disse.
O superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Bruno Musso, acredita que a indústria brasileira deve buscar ganhos de competitividade para que a presença de conteúdo nacional nos projetos ligados à exploração de petróleo do pré-sal, hoje exigida por lei, aumente naturalmente.
Segundo ele, o aumento do conteúdo nacional nos investimentos da Petrobras deve resultar da igualdade de condições para que a indústria brasileira possa competir com empresas estrangeiras que já atuam no setor. ''A presença do conteúdo local nos projetos ligados à exploração e produção de petróleo deve vir como resultado de ganhos de competitividade para nossa indústria'', afirmou Musso.
Mas para que isso aconteça, o superintendente da Onip defendeu a definição de estratégias claras para toda a cadeia produtiva de petróleo e gás. ''Existem várias ações pontuais para aumentar a competitividade da indústria brasileira nesta área, mas sentimos falta de uma política industrial para o setor, que organize a cadeia como um todo'', disse.


