Curitiba O produtor de café do Paraná se animou com a recuperação dos preços ocorrida este ano e está disposto a investir na melhoria de produtividade da lavoura e na busca de novas áreas para plantio. A expectativa é que, na próxima safra, o Estado volte a colher quatro milhões de sacas, que representa o dobro da produção deste ano, disse o cafeicultor e presidente da Comissão Técnica da Cafeicultura da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro José Buso Júnior.
Esse comportamento difere dos cafeicultores dos Estados produtores, conforme revelação de pesquisa divulgada esta semana pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo a pesquisa, mesmo com a recuperação das cotações nos mercados nacional e internacional, 67% dos produtores brasileiros disseram que não vão ampliar a área plantada. Outros 10% demonstraram a intenção de abandonar a produção de café e investir em outras culturas.
A recuperação no preço do café este ano atingiu até US$ 120 a saca, valor que recuou para US$ 100 a saca nos últimos 60 dias, com a divulgação de estimativa de safra por parte da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), que previu um aumento de um milhão de sacas de café na produção deste ano. Essa informação derrubou o mercado, disse Buso Júnior. Ele acredita que na próxima reavaliação da safra que vai ocorrer em novembro essa estimativa possa ser corrigida. A partir de então, Busso acredita em nova valorização no preço do café.
No Paraná a primeira estimativa de safra aponta para uma colheita de 2,07 milhões de sacas de café, que corresponde a um aumento de 43% sobre a produção do ano passado, quando foram colhidas 1,44 milhão de sacas.
Segundo a CNA, em agosto do ano passado, a saca com 60 quilos de café era negociada por R$ 198,98. Em agosto deste ano, o produtor recebeu, em média, R$ 253,78 pela saca, ou seja, houve uma recuperação de preço de 21,41%. ''O preço pago pelo café melhorou, mas ficou aquém da necessidade de recuperação de renda do produtor'', disse o presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, João Roberto Puliti. Ele pediu apoio do governo para o setor, alegando que ''parte dos produtores estão com problemas para alongamento de seus financiamentos e precisam ter receita estável'' (mais crédito), pois ''trabalham com uma cultura que exige investimento muito alto em relação ao lucro, e que tem problemas para armazenamento''.
Segundo o Buso Júnior, o custo de produção do café está oscilando entre US$ 80 e US$ 100 a saca, mas mesmo assim o produtor está motivado no Paraná. Nos últimos seis meses, aumentou a procura por novas áreas de plantio e também por mudas, disse. O produtor explicou ainda que o produtor paranaense está disposto a investir em tecnologia, para aproveitar as boas condições de solo para o plantio que existem no Estado.

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