Paraná pode ampliar área de canaviais
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sexta-feira, 17 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No auge da indefinição sobre o que plantar na safra de verão 2005/2006 muitos produtores paranaenses tendem a abandonar as áreas de soja para plantar cana-de-açúcar. A estiagem e os preços baixos na hora de vender a produção prejudicou as duas culturas, mas o plantio de cana ainda é ''o menos ruim'', disse ontem Adriando da Silva Dias, da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar).
Os produtores de soja e milho ainda estão amargando os prejuízos com a safra. Após a quebra de produção em decorrência da estiagem, a receita na hora de vender tende a ser menor do que o ano passado, por causa do dólar depreciado. Segundo a reportagem da Folha apurou, no Norte do Paraná muitos produtores estariam pensando em arrendar as terras para as usinas.
A indústria também está enfrentando dificuldades por causa do câmbio e da retração do mercado interno, disse Dias. Mas não abandonou o seu projeto de ampliar em 150 mil hectares o plantio de cana-de-açúcar no Paraná até 2008/2009. No ano passado, os produtores já ampliaram a área de cultivo em 19 mil hectares, passando de 356 mil hectares plantados para 375 mil hectares plantados este ano.
Com a falta de chuvas este ano, a produção de cana-de-açúcar no Paraná deve ter uma quebra de produção de 4%. No ano passado foram colhidas 29,5 milhões de toneladas de cana e este ano devem ser colhidas 28 milhões de toneladas. O tempo permanece com chuvas escassas e a previsão da Alcopar é encerrar a colheita mais cedo este ano, por volta dos meses de outubro e novembro, o que pode gerar um novo ciclo de alta dos preços no final do ano, em função da escassez de matéria-prima.
''O problema é que produtores e indústrias gastaram mais na compra de insumos para aumentar o plantio da cana na safra passada e vão colher menos'', disse o superintendente da Alcopar.''Dificilmente o setor produtivo vai recuperar o investimento'', acredita. Segundo Dias, o problema de aumento nos custos de produção e queda nos preços de venda da cana-de-açúcar está mais grave em São Paulo.
Conforme a agência Safras & Mercados, na praça de Ribeirão Preto (SP) o preço do açúcar em abril, último mês da temporada anterior, estava em R$ 33,45 a saca de 50 quilos, uma retração de 22% em relação ao mês de maio, quando a cotação fechou em R$ 26,14 a saca em média.
No Paraná, o produtor que optou pelo plantio de cana ainda está numa situação menos ruim que o produtor de soja. Isso porque as culturas de ciclo curto como soja e milho, se submetidas a um período de seca, quebram a produção e não têm recuperação. Já o plantio de cana-de-açúcar, um cultura de ciclo mais longo, apresenta a oportunidade da recuperação do déficit hídrico. ''É claro que numa situação de estiagem a cana-de-açúcar também é seriamente prejudicada, mas tende a recuperar parte do prejuízo ao longo do desenvolvimento da cultura'', explicou Dias.


