Paraná perde participação na Renault
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quinta-feira, 22 de junho de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
A Renault prepara para julho um novo aporte de capital, diminuindo ainda mais a participação do governo do Paraná na empresa. A intenção da montadora francesa é se separar gradativamente do Estado. Com isso, até o fim do ano, a participação acionária do Paraná não deverá ultrapassar 15%. Em dezembro de 2001, quando se encerra o segundo mandato do governador Jaime Lerner, o limite pactuado com os franceses será de apenas 7%. O Paraná já deteve 40% das ações. A notícia foi divulgada pelo Relatório Reservado, um serviço de informações econômicas fornecido a grandes empresas e bancos de investimentos do País.
Segundo o relatório, a intenção da montadora é injetar mais dinheiro na indústria e fazer com que os acionistas banquem quantia similar para manter suas ações e sua participação na companhia. No entanto, desde o ano passado, o governador Jaime Lerner decidiu não aplicar mais recursos na fábrica, passando a perder presença na composição da Renault.
Com essa decisão, o Estado, que já gastou R$ 140 milhões, por meio do Fundo de Desenvolvimento Estadual (FDE), perde em julho mais 8 pontos percentuais, deixando de ter 33% da participação para ficar com 25%. A medida da Renault faz parte de uma estratégia que pretende retirar poder de decisão do governo estadual dentro da empresa, que tinha ingerência também no mercado de revenda.
A Folha tentou confirmar ontem as informações que constam no relatório com os secretários Miguel Salomão, do Planejamento; Giovani Giónedis da Fazenda; e José Cid Câmpelo Filho, da Casa Civil. Também, procurou um responsável da Renault. Mas, como era feriado, apenas Salomão retornou a ligação no início da noite.
O secretário, que está desligado há três anos do conselho da Renault, informou que, quando foi assinado o protocolo de intenções com a montadora, o governo poderia deter 40% das ações, se aplicasse US$ 300 milhões. Até julho de 1997, data em que saiu do conselho (em função de ser substituído na Secretaria da Fazenda), Salomão disse que governo tinha aplicado US$ 90 milhões do FDE. Atualmente, quem gerencia o FDE é o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Ele pode explicar qual é participação acionária do governo do Paraná, disse.
Pelo relatório, o maior ganho da montadora com a instalação no Paraná foi a renúncia fiscal de US$ 160 milhões. Esse valor teria ajudado a aliviar a carga da empresa, que já aplicou US$ 540 milhões dos US$ 750 previstos na unidade de São José dos Pinhais. Para este ano, a empresa ainda deverá investir mais US$ 200 milhões na ampliação da planta industrial, necessária para comportar a fábrica da Nissan.
Não há unanimidade quanto ao investimento oficial na Renault. Há cerca de dois anos o PMDB conseguiu o vazamento do protocolo de intenções que norteou as negociações que selaram a instalação da montadora. De acordo com o partido, os recursos aplicados pelo governo do Estado são maiores que os US$ 300 milhões estimados, chegando a R$ 1,5 bilhão, que viriam do Fundo de Desenvolvimento.


