Paraná perde liderança em algodão
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Elvira Fantin 
O Paraná acaba de perder para o Estado de Goiás a liderança no plantio de algodão. Os produtores paranaenses, que desde 1980 sustentam o título de maiores produtores do País, este ano plantaram apenas 70 mil ha, enquanto os goianos deverão encerrar o plantio com 78 mil ha. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral), que divulgou ontem o relatório mensal de safra já com o plantio de algodão concluído. A área plantada este ano no Paraná é 61% inferior à safra passada e é a menor dos últimos 40 anos. O recorde de plantio no Estado aconteceu na safra 91/92: 705 mil ha.
A redução no plantio que vem se verificando nos últimos anos no Paraná se deve à dificuldade que o produtor vem tendo para concorrer com o produto importado, avalia a engenheira agrônoma Vera Zardo, coordenadora da conjuntura do Deral.
Segundo ela, o algodão importado tem financiamentos vantajosos que oferecem até 360 dias para o pagamento e com juros internacionais que são muito menores que os praticados no mercado interno.
De acordo com a agrônoma, a dificuldade de concorrer com o produto importado leva o produtor de algodão a optar por outros cultivos, principalmente o milho. No Paraná, o algodão sempre foi plantado por pequenos produtores que hoje não têm condição de investir na atividade e cultivam o produto com baixo nível tecnológico o que resulta em produtividades baixas, destaca.
Vera Zardo explica que para produtividades na faixa de 2.400 quilos de algodão em caroço por ha a lavoura chega a ser rentável, mas o problema é que no Paraná a média de produtividade tem ficado em torno de 1.500 kg/ha, o que inviabiliza um retorno econômico com o algodão.
Nos últimos anos o preço do algodão tem sido razoável e vem registrando aumento, informa Vera. Desde 92 o preço vem subindo, passando de R$ 4,58 a arroba naquele ano para R$ 7,16 nesta safra. O preço não é ruim, mas só consegue ter rentabilidade quem colhe na faixa dos 2.400 kg/ha, esclarece.
A coordenadora da conjuntura agropecuária do Deral considera difícil a retomada do plantio do algodão. Está havendo uma mudança no perfil do produtor de algodão e a liderança de Goiás nesta área é prova disso. Os produtores goianos têm áreas maiores e investem mais na lavoura, afirma Vera Zardo.
Em Goiás predomina um sistema mais profissional, com colheita mecânica e um maior nível tecnológico de plantio. Além de Goiás, Mato Grosso também vem optando pelo plantio de algodão, o que prova que o produto é viável, bastando apenas um maior investimento na lavoura, o que tem sido difícil para os pequenos produtores do Paraná.


