Curitiba - O Paraná perdeu espaço com a mudança de perfil das exportações brasileiras. Ainda centradas na agronegócio, com 54% de participação, as exportações paranaenses tiveram um aumento de apenas 0,81% nos primeiros sete meses do ano. Enquanto isso, entre janeiro a agosto, as exportações brasileiras tiveram um saldo positivo de US$ 28,13 bilhões, que correspondeu a um aumento de 23,79% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado.
A queda da participação do agronegócio nas exportações foi objeto de estudo realizado pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), divulgado ontem. O levantamento mostra que as exportações brasileiras continuam elevadas mas, este ano, estão focadas na venda de produtos manufaturados, de maior valor agregado. Enquanto isso, as exportações de produtos do complexo soja, trigo, milho, café e açúcar estão em queda. Só o Paraná deixou de exportar 2,87 milhões de toneladas desses produtos no período janeiro a julho deste ano, em comparação com o ano passado.
Nos primeiros meses do ano, dos US$ 64,74 bilhões exportados, US$ 35,78 bilhões corresponderam ao faturamento obtido com a exportação de produtos manufaturados. Para o técnico Robson Mafioletti, a participação de produtos industrializados nas exportações brasileiras já é de 55%, o que expõe a mudança de perfil das vendas externas.
Para Mafioletti, a queda de participação do agronegócio deve-se à vários fatores, entre eles a redução de safra por causa da quebra de produção, a depreciação dos preços das commodities no mercado internacional e como decorrência o aumento das dificuldades de negociação.
No Paraná, o faturamento com as exportações foi de US$ 5,60 bilhões nos meses de janeiro a julho, contra US$ 5,65 bilhões no período anterior. O levantamento demonstra que as exportações do agronegócio que passam pelo Porto de Paranaguá tiveram saldo negativo com queda de 20,46%, se comparada com o mesmo período do ano passado, sendo que apenas farelo e açúcar tiveram saldos positivos. Com isso, o Paraná perdeu 1,01% de participação nas exportações brasileiras, caindo de 9,74% nas exportações em 2004 para 8,73% no período janeiro a agosto deste ano.
Segundo Mafioletti, este ano a exportação de milho do Paraná foi prejudicada pela quebra de safra, as de soja foram dificultadas pela rejeição aos transgênicos, o trigo teve redução nas cotações internacionais prejudicando as exportações e o café, por outro lado, teve aumento de cotação, mas tinha pouco volume para exportação. Somente o açúcar foi beneficiado pelo aumento de cotação e o volume exportado foi 61,17% maior.
O principal destino das exportações brasileiras este ano continuou sendo a União Européia, que absorveu 25,55% do volume exportado. Em seguida; os Estados Unidos comprou 20,73% das exportações brasileiras; a Ásia basicamente China e Japão absorveram 15,54% das exportações.

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