Paraná perde empregos na indústria
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segunda-feira, 04 de março de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A indústria perdeu participação no total de empregos formais no Paraná na década de 90, mesmo com os pesados investimentos na área realizados desde 1995. Em 1990, o setor correspondia a 24% das vagas; em 2000, a 22%. O Estado teve aumento de 28% no número de postos de trabalho (363 mil) entre 1990 e 2000, que fechou com 1,6 milhão de trabalhadores com carteira assinada. As vagas criadas foram suficientes para abrigar apenas metade da mão-de-obra que entrou no mercado de trabalho no Estado.
Os dados fazem parte de estudo sobre a situação do mercado de trabalho no Paraná na última década feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Segundo o economista técnico do órgão, Cid Cordeiro, não houve mudança no perfil do econômico do Estado, mas sim diversificação. Apesar dos investimentos anunciados, o melhor desempenho está nos setores tradicionais, como na indústria metal mecânica, de alimentos e química, observou. Para ele, foram muito importantes os investimentos na indústria automotiva. Mas não se pode confundir. Isso não é mudança de perfil, completou.
A Região Metropolitana de Curitiba, que tem um grande parque industrial, perdeu participação no total de empregos do Estado na década. Em 1990, contava com 45% das vagas e o Interior com 54%. Agora esses índices são de 43% e 56%, respectivamente. A indústria foi o setor que mais sofreu com as idas e vindas da economia, com abertura das importações e real desvalorizado, disse Cordeiro.
As mulheres conquistaram mais espaço no mercado de trabalho do Paraná, refletindo tendência observada em todo o País. No início da década, elas representavam 34% (444 mil) das vagas com carteira assinada. Agora são 38% (643 mil postos). A participação feminina no período aumentou 13% e a masculina caiu 6,8%.
O nível de escolaridade do trabalhador paranaense apresentou melhora nos anos 90. Os trabalhadores com 1º grau completo aumentaram de 13% a participação no mercado de trabalho para 18% em 2000. Os que concluíram curso superior também aumentaram de 9,4% para 11,5%. Isso mostra que o trabalhador está procurando uma qualificação, observou o diretor de educação do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná, Clementino Vieira.
Para Vieira, os dados mostram que os jovens também preferem se preparar melhor antes de enfrentar a busca por emprego. A faixa etária de 18 a 24 anos representava 23% das vagas em 1990 e apenas 20,7% em 2000.


