Paraná perde 31 mil postos de trabalho
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O nível de emprego no Paraná, em dezembro de 2003, teve queda de 1,93%, com a perda de 31.180 vagas, cerca de 6,4 mil a mais do que no ano anterior. Segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatítica e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), divulgada ontem, este foi o pior resultado desde 1998, quando 36,8 mil trabalhadores perderam seus postos de trabalho. No fechamento de 2003, o Estado acumulou saldo de 62.370 empregos, o que representou um crescimento de 4,14%, mas ficou abaixo da estimativa do Dieese que era de 70 a 75 mil empregos. O Paraná ocupou o oitavo lugar no ranking nacional.
O interior do Paraná concentrou as maiores perdas de postos de trabalho em dezembro (75,22%). Os desligamentos aconteceram principalmente nos setores da indústria da transformação (9.997), agricultura (9.723) e serviços (9.362). A indústria de alimentos e bebidas assumiu a liderança no fechamento de vagas entre os demais subsetores da indústria da transformação, dispensando 4.827 trabalhadores.
O economista do Dieese, Sandro Silva, avalia que os setores que mais demitiram no mês de dezembro foram aqueles vinculados ao mercado interno, abalado pelo fraco desempenho da economia. Ele lembrou que no setor de serviços, por exemplo, os hotéis e restaurantes fecharam 5.626 vagas.
O nível de emprego na Região Metropolitana de Curitiba caiu 1,20%, com o fechamento de 7.725 vagas, registrando seu pior desempenho desde 1996, que ficou em -2,08%. A RMC ficou em último lugar no ranking das nove regiões metropolitanas pesquisadas. O índice médio foi de -0,68%.
No balanço do ano, o comércio varejista ficou com a liderança na geração de empregos, abrindo 20.784 postos de trabalho. A maior parte deles (14.940) no Interior do Estado. A avaliação do economista Cid Cordeiro, é de que a maior oferta de vagas no Interior é reflexo do bom desempenho da agricultura, com a melhora nos preços das commodities e o recorde de produtividade. ''A variação de 1% no PIB representa impacto proporcional no comércio das cidades do Interior'', complementou.
Apesar do crescimento no emprego formal no acumulado de 2003, o desemprego no Paraná ainda permanece em níveis elevados. Segundo estimativa do Dieese, a taxa de desemprego ficou em 11% no Estado, totalizando cerca de 570 mil desempregados, e em 17% a 17,5% na região metropolitana, somando cerca de 230 mil desempregados.
De acordo com Cid Cordeiro, para este ano, a expectativa é de que o Paraná gere entre 68 mil e 70 mil empregos formais, o que equivaleria a um crescimento de 9,7% em relação ao saldo de 2003.


