Choveu em todo o Estado nos últimos dias, mas o Paraná ainda está apurando os prejuízos causados pela seca. As perdas da safrinha somam R$ 142 milhões, um acréscimo de R$ 15 milhões sobre o último levantamento feito pela Secretaria da Agricultura. Foram perdidos quase 1 milhão de toneladas de produtos entre milho safrinha, soja, feijão da seca e batata da seca, que equivalem a uma redução de 42% sobre o potencial de rendimento dessas lavouras.
Só as lavouras de milho perderam R$ 83 milhões com a quebra de 46% na produção. A área perdida foi de 103 mil ha que corresponde a 15% do plantio inicial, 685.000 ha. A quebra maior ocorreu no Oeste, 72% da produção.
A engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo, salienta que essas perdas serão ampliadas se for considerada a queda de produtividade que será avaliada no final da colheita. Conforme o último levantamento de campo estão irremediavelmente perdidos 780 mil t de milho safrinha. O Paraná deverá colher apenas 920 mil t, das 1,7 milhão de t previstas.
Segundo o Deral a produtividade apurada até agora com 5% da safra já colhida é de 1.874 kg/ha, mas a previsão até o final da safra é que ela caia ainda mais, em torno de 1.580 kg/ha. Isso representa uma redução de 40% em relação à produtividade inicialmente prevista, 2.500 kg/ha.
As perdas do feijão somam R$ 13,9 milhões com a quebra de 30% da produção prevista. A estimativa apontava 89.650 t e estão sendo colhidas cerca de 63.500 t. Os prejuízos ocorreram mais por queda de produtividade das lavouras do que perda de área plantada. Segundo Vera Zardo, dos 64.240 ha plantados foram perdidos 2.000 ha. Há uma queda de 30% na produtividade. A estimativa inicial apontava um rendimento de 1.400 kg/ha, enquanto a colheita indica um rendimento médio de 1.153 kg/ha.
A soja safrinha também foi bastante prejudicada com a redução de 68% da produção. Os prejuízos foram avaliados em R$ 18,5 milhões com a perda de 69.500 t. Inicialmente os produtores esperavam colher 102.000 toneladas e agora deverão colher somente 32.500 t. Foram plantados 60 mil ha e estão perdidos 20.300 ha. O município de Toledo que concentra 45.000 ha com o plantio de soja safrinha foi um dos que mais sofreu com a estiagem que atingiu o período de desenvolvimento vegetativo da cultura.
A perda do milho vai refletir no preço do produto a partir de julho, na previsão dos especialistas em mercado. Os estoques do governo, embora volumosos, têm que abastecer um longo período que vai até fevereiro de 97.

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