Londrina Os produtores de café do Paraná arremataram com ágio de 12% os 600 contratos de opção de venda do café arábica tipo 6, bebida dura, ofertados ontem pelo governo. O prêmio mínimo foi estabelecido a R$ 65,00 por contrato (cada um corresponde a 100 sacas de 60 quilos), mas no Estado foram adquridos a R$ 73,00. O Paraná foi o único lugar onde os contratos registraram ágio, o que já era esperado pelo mercado devido à pouca oferta e à grande expectativa dos produtores.
''Nós já tínhamos alertado a Conab que 600 contratos era pouco para o Estado. Esses contratos correspondem a 60 mil sacas para uma produção de cerca de 2 milhões de sacas'', comenta o superintendente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), Benedito dos Santos Sobrinho. Mesmo com ágio, ele considerou o leilão um sucesso e a previsão é que seja colocado um número maior de contratos à venda no próximo pregão, previsto para quarta-feira da semana que vem. Só os corretores credenciados na BCML arremataram 367 dos 600 contratos.
O superintendente da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina (BML), Bruno Teremussi, também considerou o leilão muito bom. ''Essa opção, comprada com ágio de 12%, dá ao produtor mais ou menos 5% de lucro ao mês'', informou. Pela BML foram arrematados 25 contratos.
Os produtores e cooperativas que efetuaram compras no leilão de ontem garantiram preço mínimo de R$ 130,00 para a saca do café arábica a ser entregue em dezembro. Os contratos de opção funcionam como um seguro. Caso o produtor encontre preço maior no mercado, ele não tem a obrigação de entregar o produto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e, assim como num seguro de carro, o dinheiro investido agora para garantir o preço mínimo fica com o governo. As compras dos demais contratos ofertados no Paraná foram feitas pelas bolsas de Maringá (118) e de Mercadorias e Futuros de São Paulo (90), em nome de produtores do Paraná. Nenhum corretor se credenciou pela Bolsa de Mercadorias do Paraná.
O Paraná também foi o único Estado onde todos os contratos ofertados foram arrematados. O leilão começou com o lote da Bahia. Dos 500 contratos de café arábica levados a leilão, foram vendidos 263 ao prêmio de abertura de R$ 65,00 cada um. Em Minas Gerais (arábica), a comercialização atingiu 6.475 dos 6.500 contratos, com ágio de apenas R$ 0,01. Em São Paulo foram ofertados 1.600 contratos (arábica) e vendidos 1.588.
Para os demais lotes de café arábica, um do Espírito Santo com 700 contratos e outro do Rio de Janeiro com 100, não apareceram compradores. A possível explicação apontada pelo setor para o desinteresse nesses casos é que o produtor não foi devidamente informado sobre o leilão. No Espírito Santo há ainda o fato de o Estado produzir mais o arábica tipo 6 bebida rio.
Espírito Santo, Bahia e Mato Grosso também tiveram ofertas para contratos de café robusta, mas não apareceram compradores. Em Rondônia, dos 560 contratos do robusta ofertados, 170 foram vendidos.

mockup