Paraná não tem maçã tipo exportação
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba A abertura das exportações de maçãs brasileiras para o Canadá, anunciada na semana passada pelo Ministério da Agricultura, pode servir de estímulo para os produtores paranaenses investirem na ampliação e melhoria dos pomares. A autorização das exportações pela Agência Canadense de Inspeção Alimentar saiu depois de dez anos de negociação entre os dois governos.
A notícia foi bem recebida pelos fruticultores de Palmas (95 quilômetros a leste de Pato Branco), principal produtor de maçãs do Paraná e 17º no ranking brasileiro. O problema é que os pomares do município não produzem volume suficiente para atender o mercado externo, segundo o gerente da Cooperativa Agrícola de Campos Palmenses (Cocamp), Admar Cardoso de Oliveira. Além disso, os 22 cooperados não têm frutas de qualidade para oferecer ao mercado internacional este ano, pois os pomares foram prejudicados por chuvas de granizo.
Admar Oliveira informou que a produção anual da Cocamp é de 6 mil toneladas de maçã. Esse volume já é resultado de investimentos nos pomares que, segundo ele, vem aumentando a produtividade a cada ano em torno de 15% a 20%. Palmas vende maçãs das variedades gala e fuji apenas para o mercado interno. Os principais compradores são Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiânia, Pernambuco, Santa Catarina e o próprio Paraná. Para começar a exportar, os fruticultores paranaenses precisariam de dois ou três anos para ampliar a oferta e não prejudicar o fornecimento para o mercado interno, que é a grande preocupação da cooperativa, avaliou Oliveira.
O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Luiz Borges, reforçou que o reflexo da abertura do novo mercado não será imediato. Ele vê no Canadá um mercado promissor, mas reconhece que será preciso ainda muito trabalho para conquistar os compradores norte-americanos. ''Há muita oferta para pouco mercado'', disse, referindo-se não só ao Brasil, mas aos outros países produtores de maçã, que concorrem com a fruta brasileira como Argentina e Chile. Será preciso ocupar o lugar, também, de produtores da Nova Zelândia e Austrália e países da África do Sul, outros fortes concorrentes, que já fornecem maçã para o mercado canadense.
Borges lembrou dos países europeus que começaram a comprar a maçã do Brasil em 1986. As exportações, no entanto, só atingiram um volume mais expressivo depois de seis anos. Hoje, os países do Hemisfério Sul vendem cerca de 600 mil toneladas para a Europa. Com o Canadá, ele acredita que levará metade do tempo para o Brasil atingir vendas significativas, pois a maçã brasileira ''já tem nome no mercado internacional''.
O presidente da ABPM revelou que a entidade está tentando abrir o mercado asiático e, para isso, já encaminhou relatórios de análise de risco para Indonésia, Filipinas e Coréia do Sul. O documento relata as doenças que podem atingir os pomares brasileiros. Os países avaliam se a fruta pode ou não ser comercializada. No Canadá, a importação da maçã brasileira só está proibida para a província de Columbia Britânica, que já enfrenta sérios problemas de erradicação da mariposa branca, praga que afeta os pomares brasileiros.


